segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Um tempo para ficar sozinha

      
  Tudo o que eu precisava nesta manhã era alguns minutos sozinha. Meia horinha de paz e quietude iriam ajudar muito a preservar minha sanidade. Nenhum "mãe, faz isto", "mãe, preciso que", "mãe, ele me bateu" ou "mãe, derramei suco no sofá".

        Apenas eu, um banho quente e nada mais.

        Mas eu não devo sonhar tão grande. Logo depois de mandar os dois mais velhos para a escola, eu coloquei o mais novo na frente da televisão para assistir os Flintstones e eu lhe disse,
        - Querido, escute bem de pertinho. Sua mãe está quase explodindo. Ela está pirando. Ficando maluquinha de tudo. Isto é porque ela tem crianças. Você está me entendendo?

        Acenou concordando mas totalmente ausente.
        - Bem. Agora, se você quiser ser um bom menino, você vai ficar sentadinho aí assistindo televisão enquanto mamãe vai tomar um agradável, quente, quieto, calmo banho. Eu não quero que você me incomode. Eu quero que você me deixe sozinha. Por trinta minutos, meia horinha só, eu não quero te ver e nem te ouvir. Combinado?

        Novo aceno concordando.
        - Meninos e meninas... Bom dia! Eu ouvi o inicio do programa infantil.

        Me dirigi ao banheiro com dedos cruzados.

        Fiquei olhando a água enchendo a banheira. Dei uma olhada no espelho. E entrei na banheira.

        Ouvi batidas na porta.
        - Mãe? Mãe? Você está aí dentro, mãe?

        Eu aprendi há muito tempo que ignorar minhas crianças não faz com que desistam.
        - Sim, estou aqui dentro. O que você quer?

        Houve uma pausa enquanto a criança tentava se decidir o que queria.
        - Um... Posso comer sucrilhos?
        - Você acabou de lanchar! Não pode esperar alguns minutos?
        - Não, estou morrendo de fome!
        - Tá bom, Pode comer a caixa toda.

        Eu o ouvi correr até a cozinha, escutei quando empurrou a cadeira para tentar alcançar a prateleira, a batida no chão quando pulou da cadeira e o ouvi correr para a sala da tevê.

        Toc, Toc, Toc...

        - Mãe? Mãe? Você está aí dentro, mãe?
        - Ah... Sim, eu ainda estou aqui dentro. O que você quer agora?

        Pausa.
        - Um... é que eu preciso tomar banho também.

        Certo, desde quando...
        - Querido, você não pode esperar que eu termine?

        A porta abriu apenas um pouquinho.
        - Não, eu preciso tomar banho agora. Eu estou sujo.
        - Você está sempre sujo! Desde quando você se importa?

        A porta abriu toda.
        - Eu preciso mesmo tomar banho, mãe.
        - Não, você não precisa. Tchau!.

        Ele já estava no meio do banheiro tirando seu pijama.
        - Eu vou entrar aí com você e tomar banho também.
        - Negativo! Você não vai entrar aqui comigo e não vai tomar banho! Eu quero tomar meu próprio banho! Eu quero que você saia e me deixe sozinha!

        Eu comecei a parecer a criança de três anos com quem eu discutia. Ele escalou a borda da banheira e disse,
        - Vou só ficar aí no cantinho te ajudando, tá bom, mãe?

        Eu comecei a gritar,
        - De jeito nenhum! Não tá bom! Eu quero meu próprio banho, só pra mim! Eu quero ficar sozinha!

        Pensou por um momento e disse,
        - Tá legal! Então eu fico sentado aqui e você pode me ler uma história. Eu não vou entrar, mãe, até que você acabe.

        Deu um piscadinha e um sorriso charmoso.

        E foi assim que passei meu tempo "exclusivamente sozinha", lendo uma história de peixinhos para um garoto de três anos, pelado, sentado na borda da banheira, com o queixo apoiado nas mãos, cotovelos sobre os joelhos e um sorriso mais que sem vergonha no rosto.

        Aposto que esta história lhe soa familiar.

        Para que lutar? Não tardará e teremos muito tempo para ficar a sós. E então, com toda a certeza, fará muita falta não ter ninguém "perturbando" na banheira.

sábado, 28 de setembro de 2013

Sorvete da Alma

Semana passada levei meus filhos a um restaurante. Meu filho de seis anos perguntou se ele podia dar graças. Quando concordamos ele disse,
- Deus é bom. Deus é maravilhoso. Obrigado pela comida.
E eu ficarei ainda mais agradecido se mamãe nos der sorvete
como sobremesa. E liberdade e justiça para todos! Amém!

Junto com as risadas dos outros clientes por perto, eu escutei uma mulher comentar, - É isso que está errado com esse país.
As crianças de hoje não sabem nem como rezar.
Pedir sorvete a Deus! Eu nunca vi isso!

Escutando isto, meu filho rebentou em lágrimas e me perguntou,
- Eu fiz uma coisa errada?

Deus está zangado comigo?

Enquanto eu o abraçava e lhe assegurava que ele havia feito uma oração maravilhosa e que Deus com toda certeza não estava zangado com ele, um cavalheiro mais idoso se aproximou da mesa.
Deu uma piscada para meu filho e disse:
- Eu fiquei sabendo que Deus achou que foi uma grande oração.

- Mesmo? meu filho perguntou.

- Dou a minha palavra, o homem respondeu.

Então num sussurro teatral ele acrescentou
(indicando a mulher cujo comentário havia desencadeado a coisa toda),
- Que pena que ela nunca tenha pedido sorvete a Deus.
Às vezes, um pouco de sorvete faz bem para a alma.

Naturalmente, eu comprei sorvete para meus filhos no fim da refeição. Meu filho olhou fixamente para o seu por um momento e, então, fez algo de que me lembrarei o resto de minha vida.

Ele pegou o seu sundae e sem uma palavra, caminhou na direção da mulher e o colocou em frente a ela. Com um grande sorriso lhe disse,
- Aqui, este é para você. Sorvete às vezes é bom para a alma; e a minha alma já está bastante boa.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Meu companheiro de viagem

Passei boa parte de minha vida profissional viajando, como vendedor.
E sei que não há nada mais solitário do que um bando de viajantes
fazendo suas refeições nos restaurantes dos hotéis.

Certa vez, quando chegava de viagem, minha filha de cinco anos colocou um presente em minhas mãos. O papel que o embrulhava estava todo amassado e preso por metros de fita adesiva.

Lhe dei um beijo e um grande abraço - do tipo que todos os pais dão - e comecei a desembrulhar meu presente. Deu para perceber que o conteúdo
era suave então abri com muito cuidado para não causar nenhum estrago.
Com muita expectativa, Jeanine permaneceu ao meu lado, com os olhinhos castanhos bem abertos, esperando que eu completasse o processo e revelasse minha surpresa.

Um par de olhos pretos e brilhantes apareceram primeiro, depois um bico amarelo, uma gravata vermelha e pés alaranjados. Era um pinguim empalhado com aproximadamente 30 centímetros de altura.
Colado na sua asa direita havia uma minúscula placa de madeira, e uma frase pintada à mão "Eu te amo meu pai!".
Debaixo da frase um coração desenhado, também à mão.
Lágrimas encheram meus olhos.

Raramente passava muito tempo em casa e logo tive que sair para mais uma viagem de trabalho. Pela manhã, quando arrumava a bagagem, vi o pingüim sobre a cômoda. Naquela noite quando liguei para casa, Jeanine estava muito aborrecida porque o pingüim tinha desaparecido.
- Querida, ele está aqui comigo. Expliquei-lhe. Eu o trouxe para me acompanhar.

Depois daquele dia, ela sempre me ajudou a preparar a bagagem e me avisava que o pingüim estava junto de minhas meias e do kit de barbear. Muito tempo se passou desde então, e o pequeno pingüim viajou por muitos lugares. E fizemos muitos amigos ao longo do caminho.

Em Albuquerque, após o dia de trabalho, quando retornei ao hotel, encontrei a cama arrumadinha e o pingüim carinhosamente colocado sobre o travesseiro.
Em Boston, quando retornei ao meu quarto, alguém o assentou sobre um copo em cima do criado mudo, bem do lado da cama - nunca descobri quem foi e nem o propósito. Na manhã seguinte eu o deixei sentado em uma cadeira.
À noite estava, outra vez, sentado no copo.

Certa vez, no aeroporto, um inspetor pediu friamente que eu abrisse minha bagagem. E ajeitadinho, por cima de tudo, estava meu pequeno amigo. Segurando-o no alto, o agente disse, - Isto é a coisa mais valiosa que eu vi em todos os meus anos de trabalho. Agradeça a Deus que nós não cobramos imposto sobre amor.

Noutra noite, após dirigir por cento e tantos quilômetros, ao desfazer minha bagagem, eu descobri que faltava o meu pingüim.

Freneticamente, liguei para o hotel de onde tinha saído. O atendente meio incrédulo e cheio de gozação, riu e disse que nada parecido tinha lhe sido comunicado. Apesar de tudo, meia hora mais tarde, me ligou para dizer que meu pingüim tinha sido encontrado.
Era tarde da noite, mas não para isso. Sem pestanejar, voltei para meu carro e dirigi mais um par de horas para recuperar meu inseparável companheiro de viagem.

Jeanine hoje está na faculdade e eu já não viajo tanto quanto antes.
O pingüim passa a maior parte do tempo sentado na cômoda de meu
quarto, me lembrando sempre que o amor é o melhor companheiro de viagem.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Mas, por que é tão difícil perdoar?

A razão principal para que haja tanta dificuldade em se perdoar é que muitas pessoas não sabem o que significa a palavra "perdão" ou se sabem, não estão dispostos ou preparados para perdoar verdadeiramente.

O perdão não é só pedir desculpas. Fazendo assim, você está admitindo o problema, mas não a sua responsabilidade.

O perdão não é condicional e não pode ser conquistado. Não se pode exigir mudanças na pessoa: "Talvez, se colocar sua vida em ordem, eu a perdoe". Não se pode estabelecer condições para o perdão.

O perdão não é um sentimento, pois haverá ocasiões em que você não sentirá que perdoou.

O perdão não é arquivar os erros.

O perdão não é fingir que não houve nada de errado. É muito comum a pessoa continuar vivendo como se não houvesse problema algum. Se é assim que você está lidando com a situação, não se surpreenda se o problema voltar a persegui-lo.

O perdão não é indiferença. Se sua atitude é "e daí?", está ignorando o conflito que precisa ser solucionado. A indiferença é superficial.

O perdão não justifica o mal. Ter resolvido a ofensa pessoal através do perdão não significa justificar uma atitude errada.

O perdão não é só dizer: "Vamos esquecer tudo isto". Você não se esquece. Ao contrário, torna-se uma fonte de irritação e ressentimento. Esquecer não resulta em perdoar, mas na verdade o perdão resulta em esquecimento.

O perdão não é tolerância. Simplesmente tolerar o problema não resolve e não melhora o relacionamento.

O perdão não tem como objetivo ensinar uma lição ao ofensor.

O perdão não significa que não advirão conseqüências. Pode acontecer a perda de reputação, de dinheiro, de sono, danos emocionais e um sem-número de inferências.

O perdão não implica na mudança da pessoa perdoada. Quer mude, quer não, o mandamento de Deus é perdoar; não somos responsáveis pelos atos alheios.

Perdoar não é tolerar um ato mau ou prejudicial. Tolerar significa que a pessoa declara que na verdade o ato não foi errado ou mau. Quando perdoa, uma pessoa admite que o ato foi errado ou mau, mas escolhe perdoar apesar disso.

Então, o que é perdão?

Perdoar é um ato de altruísmo, é realizar algo agradável que a outra pessoa não merece, ajudando-a a ter o dom da gratidão.

Perdão é quando a justiça e misericórdia vêm juntas.

O perdão não desculpa ou minimiza o ferimento causado pela outra pessoa. Pelo contrário, declara: "Sim, você fez algo que me machucou. Você agiu mal". Mas então perdoar é agir com misericórdia e dizer: "Escolho não sustentar isso contra você. Eu o perdôo".

Perdão é uma demonstração de força e não de fraqueza. Mais homens que mulheres receiam que perdoar e pedir perdão seja uma demonstração de fraqueza pessoal, que os faz perder a imagem de masculinidade. Entretanto procurar restaurar um relacionamento através do perdão é o verdadeiro sinal de força de caráter.

Perdão é uma redução altruísta do desejo de se separar, buscar vingança ou se defender, bem como um desejo de se reconciliar quando puderem ser restabelecidas boas normas morais. Altruísmo é a consideração desinteressada pelo bem-estar da outra pessoa. O perdão é motivado por um coração tocado por empatia e humildade.

Perdão – Reconciliação – Restauração

No casamento, parceiros sempre ferirão um ao outro. Ferir é inevitável. O que distingue os bons matrimônios dos problemáticos é como os casais se reconciliam depois das feridas inevitáveis e se o fazem com eficácia.

O perdão constitui um passo fundamental na jornada rumo à reconciliação. Reconciliação significa reconstruir a confiança depois de uma violação de confiança. A confiança é reconstruída quando ambas as partes evidenciam um comportamento amoroso e confiável.

O que é que leva a pessoa a parar de se sentir magoada e estar pronta para agir com amor? Duas coisas: por um lado, a pessoa que infligiu o ferimento precisa sinalizar que está depondo as armas, amolecer o coração, mostrar-se vulnerável. Por outro lado, a que sofreu o ferimento tem de sinalizar que se distancia da vingança, abdicar do isolamento e da separação, e abrir o coração para o agressor.

Podemos com isto dizer que para se alcançar a restauração de um relacionamento, ambos os parceiros precisam tornar-se peritos tanto em confessar quanto em perdoar.

Pensamento: "A dureza do coração é muito pior do que a decepção, e é um poderoso destruidor de relacionamentos

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A medalha

 Quando menino, ganhei uma medalha na escola como prêmio ao aluno que sabia ler melhor. Senti-me feliz e estufei de orgulho. Quando a aula terminou voltei para casa correndo e entrei na cozinha como um furacão.

A velha empregada, que estava conosco havia muitos anos, ocupava-se no fogão. Sem nada comentar fui direto a ela, dizendo-lhe:
- Aposto que sei ler melhor do que você.

E estendi-lhe o meu livro de leitura. Ela interrompeu o seu trabalho e tomou o volume. Examinando cuidadosamente as páginas, terminou por gaguejar:
- Bem, meu filho...eu...eu não sei ler.

Fiquei atônito. Sabia que papai estava em seu escritório àquela hora e voei para lá. Ele ergueu a cabeça quando eu entrei, suando, com o rosto em fogo e lhe disse:
- Imagine, papai, a Maria não sabe ler. E é uma velha. Eu, que ainda sou pequeno, já ganhei até medalha. Olhe só! Eu estufei o peito para frente para que ele visse o meu troféu. E perguntei:
- Deve ser horrível não saber ler, não é, papai?

Com toda a tranqüilidade, meu pai ergueu-se, foi até uma estante e voltou de lá com um livro.
- Leia este livro para eu ver, meu filho. Foi maravilhoso você ter ganho a medalha. Leia para eu ouvir.

Não titubeei, abri o volume e olhei para o meu pai cheio de surpresa. As páginas continham o que parecia ser centenas de pequenos rabiscos.
- Não posso, papai. Eu não entendo nada disto que está aqui.
- É um livro escrito em chinês!!!

Imediatamente me lembrei do que fizera a Maria e me senti envergonhado. Papai não disse mais nada e eu, pensativo, deixei o livro em sua escrivaninha e saí.

Até agora, toda vez que me sinto tentado a gabar-me por qualquer coisa que tenha feito, lembro-me do quanto ainda me falta aprender e digo de mim para comigo:
- Não se esqueça de que você não sabe ler chinês!

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Água e fogo

Na província de Lu, havia o distrito governado por Chuang. Embora pequeno, o distrito havia prosperado bastante na gestão anterior a dele. Mas, desde que Chuang assumiu o governo, os negócios tinham se deteriorado. Confuso, Chuang subiu a à montanha de Han em busca do mestre Mun-sum.
Ao encontrá-lo e explicar-lhe a situação, esperou a resposta do mestre. Mun-sun, porém, não disse nada dando um pequeno sorriso e com um gesto convidou-o a acompanhá-lo.

Caminharam até que o rio lhes molhasse os pés. A outra margem não  podia ser vista, tão largo ele era. Depois de meditar olhando as águas, Mum-sum preparou uma fogueira e fez com que Chuang sentasse a seu lado. Ficaram ali sentados por longas horas, enquanto o fogo queimava. Quando as chamas já não dançavam mais, Mun-sum apontou para o rio e falou:
- Agora você entende por que é incapaz de fazer como seu predecessor fez para sustentar a grandeza de seu distrito?
Chuang respondeu:
- Desculpe mestre mas não compreendi.

Mum-sum, então, falou:
- Reflita, Chuang, sobre a natureza do fogo que queimava à nossa frente. Era forte e poderoso. Nenhuma grande árvore ou animal poderia igualar-se em força. Com facilidade, poderia ter conquistado tudo a seu redor.

- Em contraste, Chuang, considere o rio. Começou como um pequeno fio nas montanhas distantes. Às vezes rola macio, às vezes rápido, mas sempre navega para baixo, tomando as terras baixas como seu curso. Contorna qualquer obstáculo e abraça qualquer fenda. A água quase não pode ser ouvida. Quando a tocamos, percebemos que ela dificilmente
pode ser sentida, tão gentil é sua natureza.

- E no final o que sobrou daquilo que foi o fogo poderoso? somente um punhado de cinzas. Por ser tão forte, ele destrói tudo à sua volta, mas também se torna vítima. Ele se consome com sua própria força. O rio, não. Ele é calmo e quieto. Assim, ele vai rolando, crescendo, ramificando-se, tornando-se mais poderoso a cada dia em sua jornada em direção ao imenso oceano. Ele provê a vida e sustenta a todos.

- Da mesma maneira como na natureza, isso ocorre com os líderes. Há aqueles que são como o fogo, orgulhosos, poderosos e autoritários. Há também os que são humildes como a água, donos de uma força interior de grande alcance e capazes de capturar o coração das pessoas. Aqueles não constroem. Estes trazem uma primavera de prosperidade para suas províncias.

Reflita, Chuang, sobre o tipo de líder que você é. Talvez a resposta para seus problemas esteja aí.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Todo mundo tem um sonho



Alguns anos atrás eu assumi um serviço na assistência social da cidade. E o que eu queria fazer era mostrar que todos, se unidos e compartilhando obstáculos, têm a capacidade para se realizar. Selecionei um grupo de pessoas assistidas pelo serviço e as reunia em grupo, por três horas, todas as sextas-feiras.

A primeira coisa que eu disse ao grupo, depois de um aperto de mão com todos, foi:
- Eu gostaria de saber quais são os seus sonhos.

Todos me olharam como um grande excêntrico.

- Sonho? Nós não temos sonhos.

Uma mulher disse
- Como posso pensar em sonhos? Os ratos estão comendo as minhas crianças.

- Oh, eu disse. Isso é terrível. Não, claro que não, você está mesmo muito envolvida com os ratos e suas crianças. Como posso lhe ajudar?

- Bem, eu preciso de uma porta de tela porque há muitos buracos em minha porta.

Eu perguntei,
- Tem alguma pessoa aqui que sabe instalar uma porta de tela?

Havia um homem no grupo, e ele disse,
- A muito tempo atrás eu fiz alguns serviços desse tipo mas agora estou sem prática, mas eu poderia tentar.

- Vou lhe dar um pouco de dinheiro para que você compre o material necessário e conserte a porta desta senhora. Você acha que dá para fazer?

- Sim, eu vou tentar.

Na sexta-feira seguinte, quando o grupo estava reunido, eu perguntei à mulher,
- Bem sua porta foi consertada?

- Oh, sim. Ela disse.

- Então nós podemos começar a sonhar, não podemos?

Ela me lançou um sorriso.

E eu perguntei ao homem que fez o serviço,
- E você? Como se sente?

Ele disse,
- Bem, muito bem! Você sabe, é uma coisa muito engraçada. Foi terminar o serviço e eu comecei a me sentir muito melhor.

Isso ajudou o grupo a começar a sonhar. Este aparentemente pequeno sucesso permitiu ao grupo ver que os sonhos não eram insanos. Estes pequenos passos começaram a mostrar as pessoas que elas poderiam fazer acontecer.

Perguntei sobre os sonhos das outras pessoas. Uma mulher disse que gostaria de ter uma babá.
- Eu tenho seis crianças, e eu não tenho ninguém com quem deixa-las enquanto estou fora.

- Vamos ver! Eu disse. - Tem alguma pessoa neste grupo que pode tomar conta de seis crianças por um ou dois dias por semana enquanto esta mulher faz um treinamento aqui na faculdade da comunidade?

Uma outra mulher respondeu
- Eu tenho crianças também, mas eu posso fazer isso.

- Façamos isto, eu disse. Assim um plano foi criado e a mulher pode ir à escola.

Todo o mundo sabe alguma coisa. O homem que consertou a porta de tela se tornou um biscateiro. A mulher que alojou as crianças iniciou um trabalho de babá para todos que precisassem. Em 12 semanas eu pude ver todas estas pessoas fora do serviço de assistência social. E só com o fato de entenderem ser possível realizar.

Basta crer e tentar.

domingo, 22 de setembro de 2013

Vontade de fazer

 Eu me lembro de um fato ocorrido com nosso filho, Ian, que na
época tinha cinco anos de idade. Estávamos com visitas mas
já era a hora dele ir dormir. Quando olhei para o chão do quarto,
percebi que teria problemas. Brinquedos espalhados por tudo
que era lado.
- Ian, eu disse, você precisa guardar todos esses brinquedos
antes de ir pra cama.

- Papai, ele respondeu, estou muito cansado para guardar meus brinquedos.

Minha vontade na hora era força-lo a arrumar o quarto.
Ao invés disso, eu entrei no quarto e disse:
- Ian, venha aqui. Vamos brincar de Humpty Dumpty!

Ele subiu em meus joelhos e eu disse,
- Humpty Dumpty sentado no muro. Humpty Dumpty levou um
tombo. Humpty Dumpty caiu duro!

E ele, rindo, caía no chão do quarto. Rindo ainda, Ian disse:
- Vamos de novo!.

Bem, depois do terceiro tombo eu disse
- Certo, mas primeiro vá guardar seus brinquedos.

Sem pensar duas vezes, ele levantou-se e em noventa segundos terminou um trabalho que poderia ter levado meia hora.
Então ele pulou em meus joelhos e repetiu:
- Papai, vamos brincar de novo!.

- Ian, eu pensei que você estava muito cansado para guardar seus brinquedos.

No que ele respondeu:
- Eu estava, papai, mas agora eu fiquei com vontade de fazer isto!

Com esta história eu aprendi que podemos terminar todo e qualquer trabalho quando nós temos o incentivo certo para criar a
"vontade para fazer"!

sábado, 21 de setembro de 2013

O homem sem Deus

Perdido em sua amargura, um homem resolveu "matar" Deus e para tanto arquitetou um plano terrível, desenvolveu uma fórmula através da qual apagaria sua lembrança da memória da humanidade. Deste modo,
pensava ele, seríamos realmente livres.

Seguiu seu plano minuciosamente, até alcançar seu intento. Deus fora deletado, nada restara para lembra-lo.

Passaram-se os dias, o mundo mergulhado no caos, as pessoas girando em torno de si mesmas acabavam por destruir-se umas as outras. Era preciso reinventar Deus.

Mas, ele esquecera a fórmula, em vão a procurou sem obter resultados.
Até que, desesperado,arrependido, ensopado em lágrimas, naufragado em sua dor, já prestes a tirar sua vida, ou o que dela restou, atirou-se ao chão enquanto os lábios suplicavam o perdão daquele que ele mesmo "apagou".

Foi quando, ouviu uma voz, a princípio um sussurro distante, mas que aos poucos foi ficando mais clara e próxima...

- Filho, levanta-te. Crês realmente que alcançastes teu intento?!
Mas como poderias apagar-me da memória da humanidade se minha
morada é em seu coração?!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Por vinte cinco centavos


Alguns anos atrás, um pregador mudou-se para Houston, Texas. Poucos dias depois que chegou, teve que ir de ônibus de sua casa até o centro da cidade. Quando se sentou, descobriu ter recebido 25 centavos a mais no troco pelo que pagara pela passagem.

Considerando o que deveria fazer, ele pensou,
- É melhor devolver os 25 centavos. Seria errado mantê-lo.

Então ele pensou,
- Oh, esquece. Apenas 25 centavos. Quem se preocuparia por quantia tão pequena? Além do mais, a empresa de ônibus já tem bastante; nunca sentirão falta. Aceite-o como um presente e fique quieto.

Quando chegou ao ponto onde desceria do ônibus, parou momentaneamente na porta, então entregou a moeda ao motorista e disse,
- Tome, você me deu troco a mais.

O motorista, com um sorriso, respondeu,
- Você não é o novo pregador? Eu tenho pensado sobre ir lhe ouvir. Eu queria apenas ver o que você faria se eu lhe desse troco a mais.

Quando nosso amigo saiu do ônibus, ele agarrou literalmente o poste mais próximo, e disse,
- Oh Deus, me perdoe! Eu quase vendi seu filho por vinte e cinco centavos.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Um sonho

Eu estava só em uma grande sala branca, quando cinco homens
entraram cada um carregando uma pilha de documentos.
De repente, todos partiram com exceção de um que suavemente disse,
- Seus pecados.

Eu respondi,
- Deve haver um engano. Está certo, eu tive meus tristes momentos
mas eu não posso ter sido tão ruim.

Ele me deu alguns documentos e nele eu li uma lista de mentiras, com
as datas e horários em que as cometi. Se os pequenos erros estavam
todos registrados ali com tamanha precisão, e os mais graves?
Tremendo por inteiro, desmoronei. Como pude ter sido tão descuidado?

Fiquei absorto em meu susto até que ouvi meu nome sendo chamado por
uma voz gloriosa, mas de alguma maneira, familiar.

Olhei para cima, e lá em seu brilho e glória, estava Jesus.
Ele disse, - Só uma coisa importa. Você me ama com toda a força de seu coração, sua alma e seu pensamento?

Eu lamentei,
- Senhor, eu falhei com você muitas, muitas vezes. Mas você sabe
melhor que qualquer outro o quanto eu amo você.

Então, Ele apontou para minha pilha de pecados agora coberta com
seu sangue.

Que visão agradável que eu... eu... eu acordei!
Tudo não passou de um sonho... será?


Uma linda semana de paz!!
E veja se não aumenta sua pilha de pecados.
Senão,  é pesadelo na certa...

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Menininha maravilhosa

No consultório, uma batida frenética à porta  do médico.
Uma batida forte, urgente, como ele jamais tinha ouvido.
Entre, Entre." o médico falou impaciente,

"Entre antes que você desperte um morto"
Entrou uma pequena menina amedrontada, uma criança com
não mais que nove anos  de idade, "Oh doutor, eu o imploro,
por favor  venha comigo, minha mãe está  morrendo,
ela está muito doente".

"Eu não atendo em casa, traga sua mãe aqui".
"Mas ela está muito doente, você tem que vir  ou ela morrerá"
O médico, tocado pela desespero da menina, decidiu ir.
Ela disse ao médico que ele seria abençoado,  mais do que ele
poderia imaginar.  Ela o levou até em casa.

A mãe dela, muito doente, não pôde sequer levantar a cabeça.  Mas seus olhos chamavam por ajuda e o médico a socorreu.
Ela teria morrido naquela noite se não fosse  a atitude da menina.

O médico baixou a febre dela e partiu. Na manhã seguinte
voltou à casa daquela senhora  para  ver como ela tinha
passado a noite.

E ela estava muito melhor. Ela elogiou o médico por tudo
que ele tinha feito. Mas ele retrucou dizendo que ela teria
morrido se não fosse a ação daquela menina.
"Você deve estar orgulhosa por sua pequena menina, 
ela que me fez vir até aqui.

Ela é realmente uma menininha maravilhosa".

"Mas doutor, minha filha morreu há mais de três  anos,
a foto na parede é da pequena menina que você conheceu?"
As pernas do médico tremeram.  A foto na parede,
era a mesma pequena menina que ele tinha atendido.

O médico ficou imóvel por algum tempo e abriu um sorriso.
Ele estava lembrando daquela batida frenética à porta de
seu consultório e do pequeno anjo bonito quietinha caminhado até ele:

Você será abençoado, mais do que pode imaginar!

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Um herói diferente

Foi num dezembro frio e de muita neve.
Aliás, neve perfeita para  andar de trenó.

Por isso, mãe e filha se dirigiram morro acima.
O morro estava cheio de gente. A Sra. Silvermann e a filha de  onze anos acharam um espaço perto de um homem alto e  magro e de seu filho de 3 anos.

O garoto já estava deitado de barriga para baixo, esperando para ser empurrado. Vamos lá, papai! Vamos lá!
O homem deu um forte empurrão no trenó e lá se foi o menino.

Mas não foi apenas o garoto que  voou  - o pai saiu correndo atrás dele a toda velocidade. Ele deve estar com medo que seu filho se choque contra alguém - pensou a jornalista.

E ela mesma com a filha desceu o morro, em grande velocidade, a neve solta voando nos seus rostos.O retorno até o alto do morro era uma longa caminhada. Enquanto ambas subiam com vagar, puxando o trenó, a sra. Silvermann observou que o homem magro estava empurrando

seu filho, que ainda se encontrava no trenó, de volta ao topo.
Isso é que é um paizão - falou a menina.

Será que você, mamãe, faria o mesmo por mim?
Nem pensar, foi a resposta. Continue andando.
Quando elas chegaram no topo do morro, o garotinho já estava pronto para brincar novamente e gritava feliz:

Vai, vai, vai, papai!
Outra vez o pai reuniu todas as suas energias para dar um
grande empurrão no trenó, correu atrás dele morro abaixo e então
puxou o trenó e o menino de volta para cima.
Assim foi por mais de uma hora.

A sra. Silvermann estava intrigada.

Não era possível que aquele homem achasse que seu filho fosse bater em alguém.

Mesmo sendo pequeno, ao menos na subida ele poderia puxar o trenó uma vez.
Mas o homem parecia não se cansar.

Ria, jovial e continuava no seu afazer.
Ela então lhe disse: você tem uma tremenda energia, hein? O homem olhou para ela e sorriu, apontando para o filho.
Ele tem paralisia cerebral, disse de forma natural.

Ele não pode andar.
A jornalista entendeu, naquele momento, porque somente então se deu conta que não havia visto o menino descer do trenó durante todo o tempo que estiveram no morro. Entretanto, tudo parecia tão alegre, tão normal, que a ela não ocorrera, por um minuto sequer, que o menino poderia ser deficiente.

Ainda que não soubesse o nome do homem, ela contou a história em sua coluna no jornal na semana seguinte. Pouco tempo depois, ela recebeu uma carta que dizia assim:
"Cara Sra. Silverman, a energia que gastei, no morro, naquele dia, não é nada comparada ao que o meu filho faz todos os dias.

 Para mim, ele é um verdadeiro herói e algum dia espero ser metade do homem que ele já se tornou."

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Oportunidade

Estou cansado de trabalhar e ver todos os dias as mesmas pessoas no caminho; passar horas trabalhando no escritório.

Chego em casa e minha esposa sempre serve a mesma comida para o jantar. Entro no banho e logo ela começa a reclamar.

Quero descansar e ver a televisão, mas minha filha não me deixa, porque quer brincar comigo, não entende que estou cansado.

Meu pai também irrita algumas vezes, e entre clientes, esposa, filha e pai, eles me deixam louco.
- Quero Paz!!!

A única coisa boa é o dormir, ao fechar os olhos sinto um grande alívio, me esqueço de tudo e de todos.

- Olá, vim te ajudar.
- Quem é você? Como entrou?

- Deus me enviou. Disse que ouviu suas queixas e tem que você tem razão.
- Isto não é possível, para isto eu teria que estar...

- Isto, você está. Mas, não se preocupará mais em ver sempre as mesmas pessoas, nem por agüentar a sua esposa com suas reclamações, nem sua filha que te irrita e nem escutará os conselhos de seu pai.

- Mas. Que acontecerá com todos? Com meu trabalho ?
- Não se preocupe, já contrataram outra pessoa para o seu lugar, e certamente este está muito feliz porque estava sem trabalho.

- E minha esposa, e minha filha?
- A sua esposa foi dado um bom homem, que a quer bem, a respeita e admira por suas qualidades, aceita gostos, defeitos e todas as suas reclamações. Além disso, se preocupa com sua filha como se fosse filha dele, de certo tem uma emoção muito grande já que é estéril. Por mais cansado que chegue do trabalho, dedica tempo a brincar com ela e são muito felizes.

- Mas, não quero isto!
- Sinto muito, a decisão foi tomada.

- Mas isto significa que jamais voltarei a beijar o rostinho da minha filha... nem dizer "eu te amo" a minha esposa... nem dar um abraço no meu pai... Não, não quero morrer, quero viver, envelhecer junto a minha mulher, não quero morrer ainda...

- Mas era o que você queria... Descansar. Agora já tens seu descanso eterno, durma para sempre.

- Não, não quero, por favor, Deus!

- ... Que aconteceu amor? Teve um pesadelo? Disse minha esposa me acordando.
- Não.... não foi um pesadelo e sim uma nova oportunidade.


Que esta historinha possa nos fazer refletir sobre reclamações que costumamos fazer, ao invés, de agradecermos a Deus a oportunidade que temos de termos um trabalho, um esposo(a), uma família...

domingo, 15 de setembro de 2013

Está tudo cinzento

Dona Joaninha recebeu um par de óculos escuros no dia de seu aniversário. Correu para o espelho para ver se lhe caiam bem e pensou
- Hum! Que charme!

Dona Joaninha era bem vaidosa. Toda satisfeita, pôs seu vestido vermelho com bolinhas pretas e saiu para passear.

Infelizmente o dia estava escuro, as flores pareciam tristes, o sol bocejava preguiçoso. Dona Joaninha começou a ficar aborrecida com tudo e voltou pra casa.

Com o passar do tempo a vida foi ficando mais sem graça.

Dona Joaninha resolveu então não sair mais de sua casa. Na folha da palmeira, ficou lá triste, dias e dias.

E foi então que Dona Joaquina sentindo falta de sua prima pensou:
- Onde será que anda a prima Joaninha? Sempre tão animada e atenciosa, será que ficou doente? Vou fazer uma visita.

Lá chegando, Dona Joaquina bateu à porta da casa da prima Joaninha.
- Quem está aí? - perguntou Dona Joaninha com a voz bem fraquinha.

Quando percebeu que era sua prima, Joaquina ela falou com voz triste:
- Entra prima, eu estou aqui tão deprimida, os dias estão sempre tão cinzentos, resolvi ficar aqui quietinha, esperar as coisas melhorarem.

Mas de repente, Dona Joaquina afirmou com um ar de deixa disso:
- Que nada prima! Abra logo essa janela. Vamos para o jardim, o dia está maravilhoso, veja que lindas flores, o céu está azul. Acorda, está tudo tão lindo.

Ainda desanimada insistiu Dona Joaninha:
- Vejo os dias cinzentos, as flores cinzentas, o céu cinzento, tudo cinzento. Como é que pode? Eu vejo tudo ao contrário do que você diz.

Então Joaquina com a maior naturalidade:
- É simples, querida prima, tire esses óculos escuros!

E ela tirou e exclamou:
- Que beleza! A cor voltou para as flores, o céu está azul novamente!

E sorrindo Dona Joaquina disse:
- Estava assim o tempo todo mulher, é só tirar os óculos escuros!

Entendida a mensagem então vamos lá: Todo mundo tirando os óculos escuros de suas vidas.

sábado, 14 de setembro de 2013

A Humildade

Muitos e muitos anos atrás, um homem muito sábio visitava os povoados, realizando os pedidos das pessoas que ele julgava que tinham atuado com justiça e benevolência.
Este homem sábio tinha a faculdade de atender os pedidos de todas as pessoas que se acercavam a ele; por este motivo, numa determinada cidadezinha existia um grande alvoroço.
O sábio chegou no povoado e todos correram até ele, e todos pediam favores, alguns pediam dinheiro, outros pediam saúde, outros namorados ou namoradas e assim cada um fez seu pedido.
E ele foi atendendo na medida do merecimento de cada um deles.
Porém o homem sábio viu no fundo da multidão um rapaz jovem que nada tinha pedido, dirigindo-se a ele lhe disse: e tu nada tens a me pedir, ao qual o jovem respondeu: nada peço porque nada mereço, se algum dia a natureza julgar que mereço algo ela mesma me deverá de proporcionar.
O homem sábio perguntou então: qual é teu nome meu rapaz, e o jovem respondeu com humildade: Jesus de Nazaré, Senhor.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Uma lição de meu pai...

 Cada um dos sete filhos trabalhou na loja de nosso pai, nossa própria loja de departamentos. No inicio fazíamos pequenos trabalhos como varrer o chão, arrumar as prateleiras e fazer embrulhos, e mais tarde, quando tínhamos experiência, atendíamos aos clientes. Trabalhando e prestando atenção, nós aprendemos que trabalhar era mais do que sobreviver e vender.

Uma lição ficou gravada em minha mente. Era próximo do natal.  Eu estava na oitava série e trabalhava à noite, ajeitando a seção de brinquedos. Um pequeno garoto, com uns cinco ou seis anos, entrou.
Ele vestia um desgastado e sujo casaco marrom.
O cabelo despenteado.

O tênis rasgado e desamarrado. O garoto me pareceu muito pobre - demasiado pobre para ter dinheiro para comprar qualquer coisa. Olhou em torno da seção de brinquedos, pegava um brinquedo, olhava atentamente e devolvia com cuidado ao seu lugar.


Papai desceu as escadas e caminhou até o menino. Seus olhos azuis sorriam e a covinha no rosto sobressaía quando perguntou ao menino o que poderia fazer por ele. O menino disse que procurava um presente de natal para dar à seu irmão.

Me impressionou como papai o tratou com o mesmo respeito com que tratava a todos os clientes. Papai lhe disse para ficar à vontade e procurar com calma.

Aproximadamente 20 minutos depois, o menino escolheu um brinquedo, foi até meu pai e perguntou,
- Senhor, quanto custa este?
- Quanto você tem? Meu pai perguntou.

O menino enfiou a mão no bolso e retirou algumas moedas.
- 27 centavos.
O preço do brinquedo escolhido era $3,98.
- Mas que sorte! É exatamente o quanto custa!
Meu pai lhe disse e fechou a venda.

A resposta de papai ainda soa em meus ouvidos. Eu pensava nisto enquanto embrulhava o presente. Quando o menino saía da loja, eu já não observava a roupa suja e desgastada, o cabelo despenteado, ou o tênis rasgado e desamarrado.
O que eu via era uma criança radiante levando um tesouro.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

O salvamento

Um menino vivia com sua avó quando sua casa incendiou-se. A avó, tentando alcançar o andar superior para salvar o menino, morreu nas chamas. Os gritos do menino por ajuda finalmente foram respondidos por um homem que subiu por um cano de esgoto de ferro e voltou para baixo com o menino pendurado ao seu pescoço.

Várias semanas mais tarde, uma audiência pública foi realizada para determinar quem receberia a custódia da criança. Um fazendeiro, um professor e um cidadão bem sucedido do povoado apresentaram suas razões pelas quais sentiam que deveriam ser escolhidos para dar um lar ao menino.

Enquanto conversavam, os olhos do menino permaneciam fixos no chão. Então, um estranho avançou e lentamente tirou as mãos dos bolsos, revelando terríveis cicatrizes nelas.

Enquanto a multidão assistia, o menino chorou em reconhecimento. Aquele era o homem que tinha salvado sua vida. Suas mãos tinham sido queimadas quando subiu o cano quente. Com um salto o menino jogou seus braços em torno do pescoço do homem.

Os outros homens silenciosamente saíram, deixando o menino com seu salvador. Aquelas mãos danificadas tinham encerrado o assunto.

Este relato é bom para nos fazer lembrar que há alguém cujo corpo teve as mãos terrivelmente feridas por pregos numa missão de salvamento. É este alguém que, acima de qualquer interesse, merece ter a nossa custódia e por nossa própria e espontânea vontade.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Nunca jamais

  Nunca se julgue velho demais para comemorar  aniversários nem para fazer coisas que você sempre fez.  Nunca desista dos seus sonhos só porque imagina que eles nunca se tornarão realidade.

Nunca esqueça o som de uma boa gargalhada ou do amor visto nos olhos de alguém.  Nunca troque prazeres por más lembranças
de coisas que já se perderam no tempo.

Nunca jogue fora o seu entusiasmo pela Vida, crendo que está velho demais para isso, pois não é o que você sente, mas sim o que lhe disseram.  Há um profundo vale dentro de nós onde a primavera é eterna, onde não há sons de tristeza e onde os pássaros sempre cantam.

Mesmo que os seus passos já não sejam tão largos quanto os passos de um adolescente, mesmo que lhe pareçam muito diferentes
as coisas que antes você enxergava de outra forma, não deixe a soma das décadas transformá-lo num ser amargo e sem esperanças.

Com a idade cresce nossa sabedoria e ela é uma bênção para todos nós. Exiba os anos vividos como quem carrega um estandarte,
girando-o brilhantemente em direção do sol.

Se piadistas lhe disserem que sua Vida está acabando, diga-lhes sorrindo sabiamente:

' Ela está apenas começando! '

Eu, acrescentaria que ela recomeça todos os dias,
ao amanhecer...quando alguém nos deseja um...

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Rejeitando o Perdão

  Frederico II., da Prússia, além de extraordinário estadista, conseguiu também ser muito amado pelo seu povo, em virtude da sua singular popularidade. Certo dia, trajando-se como qualquer cidadão comum, encaminhou-se para uma prisão militar a fim de visitar os encarcerados, e fez absoluta questão de falar com cada detento em particular e a cada um dirigiu a mesma pergunta, demonstrando também o mesmo interesse em ouvir:

- Qual é o motivo que o trouxe para cá e qual é a sua sentença? - indagava.

Escutou pacientemente a resposta de cada um e acabou desanimado com o que ouviu. Quase toda a população carcerária apresentou, de uma ou de outra forma, a sua inocência - vítima de falsos amigos, engano das testemunhas, erro judiciário e assim por diante. Terminado o período de visitas, enquanto se retirava, ele viu, debruçado na grade, um homem triste e visivelmente arrasado. Para ser justo, dirigiu-lhe também a mesma pergunta, que vinha fazendo a todos os demais, ao que o homem respondeu:

- Desde bem criança fui rebelde e indisciplinado. Com isso fiz sofrer demais os meus velhos pais. Tornei-me homem, porém, nunca enfrentei o trabalho dignamente. Assim, para sobreviver eu comecei a roubar e, então, de erro em erro não me permiti amadurecer nem raciocinar e me firmar em um caminho seguro; até que, preso por furto e vadiagem, vim parar na prisão.

Consciente dos seus erros premeditados e cultivados, aquele homem assumiu a sua culpa, concluindo a conversa com esta confissão:

- Minha vida está arruinada por minha própria culpa e agora eu sofro com justiça a punição dos erros cometidos. Olhe, moço, eu bem quisera ter a oportunidade de poder começar minha vida de novo, e então, tudo haveria de ser diferente, porque a começaria pela dignidade e pelo respeito próprio. Mas, nem sei se tenho o direito de sonhar com isso...

Naquela mesma hora, Frederico II. ordenou a sua libertação, dizendo:

- Ainda poderemos esperar alguma mudança. Os outros têm que ficar!

Procurar justificar as falhas inocentando-se de qualquer culpa foi o que
Adão e Eva já fizeram, logo de início, lá no Éden.