terça-feira, 20 de outubro de 2015

O Escravo e o Filósofo


Estava um paxá cruzando o oceano num leve navio, quando desabou uma terrível tempestade. Um de seus escravos persas, que nunca estivera  no mar, começou a chorar e gemer, gritando com tanto terror que ninguém conseguiu consolá-lo.

Por fim, o paxá berrou, irritado:
- Não existe ninguém a bordo que possa acalmar este covarde? Um filósofo, conselheiro do paxá que o acompanhava na viagem, disse:  - Com vossa licença, senhor, penso que poderia   acalmar este homem.

- Pois tente – disse o paxá.
O filósofo observou o trêmulo escravo e convocou alguns marinheiros:  - Atirai-o na água.

Jogaram o escravo no mar. Ele começou a se afogar. Debatia-se desesperadamente, e seus gritos eram terríveis.

- Agora, içai-o – disse o filósofo.
Os marinheiros puxaram o escravo de volta ao navio. Ele se agarrou ao convés, ofegante e assustado, mas silencioso. O paxá, impressionado e surpreso, perguntou ao filósofo:

- Como explicas isto?
Ao que o sábio respondeu:
- Antes de ter uma amostra de afogamento, ele não poderia apreciar a abençoada segurança de um navio.

Para os Anjos do Paraíso, o Purgatório é Inferno; mas para os condenados do Inferno, o Purgatório é o Paraíso.

Um comentário:

Sandra Rossi disse...

Olá Regina!
Sábio ensinamento. Devemos confiar mais antes de entrar em desespero.
Um abraço e fique com Deus!