
Eu
ouvira falar que aquele era o dia em que Papai Noel em seu trenó puxado por
renas cruzava os céus distribuindo brinquedos a todas as crianças.
E por
que então, eu, que passo a madrugada ao relento nunca vi o trenó voador?
Onde
estão meus presentes?
Eu
imaginava que o Natal não deveria ser isso.
Talvez
fosse um dia especial, em que as pessoas abraçassem seus familiares e fossem
mais amigas umas das outras.
Ou
talvez fosse o dia da fraternidade, do perdão.
Mais
então, por que eu, sentado no meio fio não recebo sequer um sorriso
perguntava-me com tristeza.
E por
que a Polícia trabalha no Natal.
Eu
entendia que não deveria ser assim.
Imaginava
que talvez o Natal fosse um dia mágico por que as pessoas enchem as igrejas em
busca de Deus.
Mas
por que então não saem de lá melhores do que entraram debatia-me na ânsia de
compreender.
Nessa
ocasião diferente ouvia risos, mas eram gargalhadas que escondiam tanta
tristeza e ódio, tanta amargura e sofrimento.
E eu,
mergulhado em tão profundas reflexões vi aproximar-se um homem.
Era um
belo homem.
Não
era gordo nem magro, nem alto nem baixo, nem branco nem preto.
Era
apenas um homem com olhos cor de ternura e um sorriso em forma de carinho que
numa voz em tom de enfado saudou-me.
Olá
menino...
Oi.
Respondi
meio tímido.
E com
grande admiração vi-o acomodar-se ao meu lado na calçada sob o sol escaldante.
Eu
menino aceitei-o como amigo, e atirei-lhe a pergunta que me inquietava.
“Que é
o Natal?”
Ele
sorrindo ainda mais me respondeu sereno.
Meu
aniversário.
Como
assim perguntei.
Por
que você não esta em casa, onde estão os seus familiares.
E ele
me disse essa é minha família, apontando para aquelas pessoas que andavam
abraçadas.
Eu não
compreendi.
Você
também faz parte da minha família acrescentou aumentando a confusão na minha cabeça
de menino.
Não te
conheço eu disse.
É por
que nunca lhe falaram de mim, mas eu o conheço e o amo...
Tremi
de emoção com aquelas palavras na minha fragilidade de menino.
Você
deve estar triste por me ver, por que está sozinho justo no dia do próprio
aniversário.
Neste
momento estou com você respondeu-me com um sorriso, poucas palavras, muito
silêncio, muitos olhares e um grande sentimento.
Naquela
prece que fazia arder o coração e a própria alma.
A
noite chegou e as primeiras estrelas surgiram no céu e conversamos.
Eu
menino e Ele.
E Ele
me falava e eu o entendia e eu sentia e eu o amava.
Eu
menino sou as cordas, ele o artista e entre nós dois se fez a melodia.
E eu
menino sorri.
Quando
a madrugada chegou e enquanto piscavam as luzes que iluminavam as casas ele se
ergueu e eu adivinhei que era a despedida.
E eu
suspirava de alma renovada abracei-o pela cintura e lhe disse...
“FELIZ
ANIVERSÁRIO”.
Ele
ergueu-me no ar com seus braços fortes, tão fortes quanto a paz e disse-me...
“Você
pode me presentear compartilhando este abraço com a minha família que também é sua.
Ame-os com respeito, respeite-os com ternura, com carinho e amizade e tenha um
feliz natal.”
E por
que eu não queria vê-lo ir-se embora sai correndo em disparada pela rua.
Abandonei-o
levando para sempre no mais intimo do coração.
E sai
em busca de abraços que aceitassem os meus.
E eu
menino nunca mais o vi, mas fiquei com a certeza que ele sempre está comigo e
não apenas nas noites de Natal.
E eu
menino sorri, pois agora eu sei que ele é Jesus e é por causa dele que existe o
Natal.
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