segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Pense

 Quando a sombra do desencanto vier acompanhar teus sonhos, pense naqueles que nunca tiveram condições de sonhar, por se encontrarem na vida em constantes pesadelos, na luta incessante contra a fome que pede a atenção permanente, e que pode levar ao desespero e à loucura.

Quando te acreditares desamparado, pense nas criancinhas que perambulam pelas ruas, sentindo o frio das noites medonhas e escuras, pedindo pelo aconchego de um braço materno ou pela orientação de um pai, que possa evitar a precipitação nos abismos do vício.

Quando te encontrares enfermo, pense naqueles que jazem nos leitos dos hospitais, sem a presença de algum familiar, tendo por companhia apenas o medo da morte, padecendo terríveis dores físicas e morais de moléstias incuráveis.

Quando perderes a esperança, pense nos criminosos que se amontoam nas celas inóspitas dos presídios, torturados pelo remorso e pela revolta, algemados nas correntes do ódio e do sentimento de vingança.

Quando te queixares pelo cansaço, pense nos paralíticos, nos aleijados, nos deficientes de toda sorte, que, na imobilidade das forças físicas, dariam tudo para poderem trabalhar e servir.

Quando perderes alguma posição no mundo, pense naqueles que já abandonaram a vestimenta carnal, a fim de assinalares o verdadeiro significado do poder, do sucesso, da riqueza ou da fama temporal.

Quando te encontrares satisfeito em todas as tuas necessidades, pense naqueles que dormem nos prazeres efêmeros da vida material - esquecidos de que a vida é simples passagem, que requer de nós trabalho e engrandecimento - para depois despertarem na vida espiritual sob completa miséria moral.

Quando te sentires feliz, pense nos desvalidos, nos estropiados, nos desequilibrados, nos tristes, a fim de que, compartilhando da tua felicidade, possas multiplicá-la.

Quando te considerardes sem motivos para viver, pense naqueles que estão à beira do precipício do suicídio, ou naqueles que já tiraram a própria vida, socorrendo-os com a tua solidariedade, e assim, certamente encontrarás uma forte razão para viver.

E quando nada disso vier a te sensibilizar ou transformar a tua posição mental, pense naquele que se deixou imolar na cruz, humilhado e abandonado, a fim de aliviar os nossos pesados sofrimentos; aquele que pronunciou o “vinde a mim” e ofereceu-nos o “jugo suave” e o “fardo leve”.

Embora não tenhamos com freqüência pensado nele,
Ele continua, até hoje, pensando em nós.

 (Alexandre Paredes)

domingo, 3 de novembro de 2013

O PINTINHO

Eu tinha dez anos quando encontrei, entre minhas colegas, a
primeira amiga de verdade.

Nossa camaradagem tornou-se a coisa mais importante para mim.
Entretanto, eu era de natureza exclusivista e me sentia
violentamente enciumada sempre que ela manifestava interesse por
alguma coisa que nada tivesse a ver comigo.

Mamãe compreendeu o que estava ocorrendo. Um dia ela chamou-me
para ver uma ninhada de pintinhos que havia acabado de sair do
ovo. Fiquei encantada. Eram umas coisinhas lindas, feitas de
suave veludo cor-de-ouro.

Em meu entusiasmo, colhi um deles na mão. Mas apertei-o com tanta
força, que por um pouco, não o sufoquei. Ele, naturalmente lutou
para escapar até que, desvencilhando-se, correu para longe de mim.

Mamãe notou o meu desapontamento e disse:

-- Pegue um outro, mas procure segurá-lo suavemente. Se você o
prender com muita força, por instinto, ele vai querer fugir. Fiz
uma segunda tentativa e o pintinho aninhou-se quietinho na palma
de minha mão. Senti-me muito feliz e sorri para mamãe. Foi quando
ela me disse:

-- Sabe, meu bem, as pessoas, neste mundo, são como esses
pintinhos. Quando agarramos com muita força aqueles que amamos,
tentando aprisioná-los em nossa mão, eles, naturalmente, não se
sentem bem. E lutam por readquirir a liberdade, como fez o
primeiro pintinho que você pegou. Mas se os colocamos na palma da
mão, sem fechar os dedos, de modo que sintam apenas o nosso
calor, percebem logo que não desejamos aprisioná-los, pelo
contrário, apenas aquecê-los com um pouco de nós mesmos, sem a
pretensão de exigir-lhes nada.

Foi o que sucedeu com o segundo pintinho.

Aquilo me impressionou muito e guardei a lição. Não quero dizer
que deixei de sentir ciúmes, pois isso faz parte da natureza
humana. Todavia quando o exclusivismo fala mais alto em meu
espírito, controlo-me mentalizando a figura daquele pintinho na
palma da minha mão.

Foi assim que aprendi a manter junto de mim aqueles que, pensando
seriamente, desejo que permaneçam perto do meu coração...  :-)

  Autor: Wallace Leal Rodrigues.

sábado, 2 de novembro de 2013

Cruz Trocada

Há uma poesia chamada “Cruz Trocada”, que fala de uma mulher que, cansada, achou que sua cruz era mais pesada do que a das pessoas à sua volta, e desejou trocá-la por outra.
Certa vez sonhou que tinha sido levada a um lugar onde havia muitas cruzes, de diversos formatos e tamanhos. Havia uma bem pequena e linda, cravejada de ouro e pedras preciosas.
Ah! esta eu posso carregar facilmente, disse ela. Então tomou-a mas seu corpo frágil estremeceu sob o peso daquela cruz. As pedras e o ouro eram lindos, mas o peso era demais para ela.
A seguir, viu uma bonita cruz, com flores entrelaçadas ao redor de seu tronco e braços. Esta seria a cruz ideal. Então pensou, tomou-a mas, sob as flores haviam espinhos que lhe feriram os ombros.
Finalmente, mais adiante, viu uma cruz simples, sem jóias, sem entalhes, tendo apenas algumas palavras de amor escritas em seus braços.

Pegou-a, e viu que era a melhor de todas, a mais fácil de se carregar, e enquanto a contemplava, banhada pela luz, que vinha do céu, reconheceu que era a sua própria cruz.

Ela a havia encontrado de novo, e era a melhor de todas e a que lhe pareceu mais leve
Deus sabe melhor qual é a cruz que deve nos levar. Nós não sabemos o peso da cruz dos outros. Invejamos uma pessoa que é rica, a sua cruz é de ouro e cravada com pedras preciosas, mas não sabemos o peso que ela tem. Ali está outra pessoa cuja vida parece muito agradável.
Sua cruz está ornada de flores. Se pudéssemos experimentar todas as outras cruzes que julgamos mais leves do que a nossa, descobriríamos, por fim, que nenhuma delas é tão certa para nós como a nossa.
Deus está com você, lhe ajudando a carregar a sua cruz.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O Crucifixo de Prata

Certa manhã, na cidade de Siena, Catarina estava indo para a missa na igreja de São Domingos. As ruas ainda estavam escuras, mas o sol já dava toques de ouro nos telhados e torres da cidade. Catarina olhava a luz do sol nascente quando surgiu alguém que pegou em seu casaco. – Por favor, me ajude – sussurrou uma voz. Ao se virar para o dono da voz, ela viu um homem encostado à parede; tão magro e pálido que mal se aguentava em pé.
- De que você precisa? – perguntou ela caridosamente.

- Preciso de ajuda para viajar – respondeu o homem.

- Moro muito longe, lá na montanha, e vim aqui procurar trabalho. Mandei tudo para minha esposa comprar comida aos filhos. Preciso de dinheiro para comer alguma coisa e recobrar minhas forças.
- Daria de todo coração – murmurou Catarina – mas sou apenas uma irmã da Ordem de São Domingos e não tenho dinheiro.
Ia seguindo seu caminho quando o homem tocou suavemente novamente em seu casaco.

- Por favor, me ajude! – insistiu ele – preciso de muito pouco.
Catarina olhou-o com piedade.

Não queria ignorar o pedido, mas que podia fazer? Já dera tudo que possuía. Seus pais eram bondosos, mas não podia pedir que descem o que tinham a um perfeito estranho. E havia tantos… tantos necessitados além desse homem…
Rezou pedindo auxílio, os dedos cruzados sobre o pequeno crucifixo de prata que usava desde menina, e que sempre segurava quando voltava o pensamento para Deus.
De repente, teve a solução. É verdade que era apenas uma cruzinha do tamanho de uma moeda, já um tanto gasta por tantas vezes tomá-las entre as mãos. Mas, sendo de prata, ele poderia vender… comprar comida e voltar para casa.
Pôs o crucifixo nas mãos do homem e apressou o passo para chegar a tempo da missa. Embora tivesse dado o objeto que mais prezava, sentia o coração leve e feliz como se tivesse recebido um presente valioso. Ao se ajoelhar na igreja, aconteceu uma coisa muito estranha. Catarina viu-se num amplo salão de teto em arco, cheio de belos tesouros. No meio deste salão estava JESUS, trazendo na mão o mais belo de todos os objetos – uma cruz de ouro cravejada de pedras preciosas, tão refulgentes de glória que lhe enchia os olhos.

- Veja esses tesouros – disse o Senhor – são as mais belas ações dos homens, praticadas em meu nome.
Catarina ficou encantada diante daqueles tesouros, mas um desejo aflorou em seu coração e ela disse:

- Oh, Senhor! Sou apenas uma pobre irmã. Nada posso oferecer que encontre lugar entre tais maravilhas.
Jesus sorriu e, levantando a cruz, disse:

- Já viu esta cruz, Catarina?
- Não, Senhor. Nunca vi nada tão maravilhoso.
E à medida que fixava o olhar na jóia, sentiu-se encher de imensa alegria, pois no centro da cruz, no coração mesmo do resplendor de luz, ela viu o pequeno crucifixo de prata que tinha dado ao homem na rua. E enquanto a visão ia esvaecendo, uma voz soou em seus ouvidos:
- Aquilo que fizeres a teus semelhantes, ainda que seja o último deles, a mim estarás fazendo.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O Bosque

Um médico, cujo “hobby” era plantar árvores no enorme quintal de sua casa. Às vezes, observava da minha janela o seu esforço para plantar árvores e mais árvores, todos os dias.
O que mais chamava a atenção, entretanto, era o fato de que ele jamais regava as mudas que plantava. Passei a notar, depois de algum tempo, que suas árvores estavam demorando muito para crescer.
Certo dia, resolvi então aproximar-me do médico e perguntei se ele não tinha receio de que as árvores não crescessem, pois percebia que ele nunca as regava. Foi quando, com um ar orgulhoso, ele me descreveu sua fantástica teoria.
Disse-me que, se regasse suas plantas, as raízes se acomodariam na superfície e ficariam sempre esperando pela água mais fácil, vinda de cima.
Como ele não as regava, as árvores demorariam mais para crescer, mas suas raízes tenderiam a migrar para o fundo, em busca da água e das várias fontes nutrientes encontradas nas camadas mais inferiores do solo.
Assim, segundo ele, as árvores teriam raízes profundas e seriam mais resistentes às intempéries.
Disse-me ainda, que freqüentemente dava uma palmadinha nas suas árvores, com um jornal enrolado, e que fazia isso para que se mantivessem sempre acordadas e atentas.
Essa foi a única conversa que tive com aquele meu vizinho.
Logo depois, fui morar em outro país, e nunca mais o encontrei. Vários anos depois, ao retornar do exterior fui dar uma olhada na minha antiga residência.

Ao aproximar-me, notei um bosque que não havia antes.
Meu antigo vizinho, havia realizado seu sonho! O curioso é que aquele era um dia de um vento muito forte e gelado, em que as árvores da rua estavam arqueadas, como se não estivessem resistindo ao rigor do inverno.

Entretanto, ao aproximar-me do quintal do médico, notei como estavam sólidas as suas árvores: praticamente não se moviam, resistindo implacavelmente àquela ventania toda. Que efeito curioso, pensei eu…
As adversidades pela qual aquelas árvores tinham passado, levando palmadelas e tendo sido privadas de água, pareciam tê-las beneficiado de um modo que o conforto o tratamento mais fácil jamais conseguiriam.
Todas as noites, antes de ir me deitar, dou sempre uma olhada em meus filhos. Debruço-me sobre suas camas e observo como têm crescido. Freqüentemente, oro por eles. Na maioria das vezes, peço para que suas vidas sejam fáceis:
“Meu Deus, livre meus filhos de todas as dificuldades e agressões desse mundo”… Tenho pensado, entretanto, que é hora de alterar minhas orações. Essa mudança tem a ver com o fato de que é inevitável que os ventos gelados e fortes nos atinjam e aos nossos filhos.
Sei que eles encontrarão inúmeros problemas e que, portanto, minhas orações para que as dificuldades não ocorram, têm sido ingênuas demais. Sempre haverá uma tempestade, ocorrendo em algum lugar.
Portanto, pretendo mudar minhas orações. Farei isso porque, quer nós queiramos ou não, a vida é não é muito fácil.
Ao contrário do que tenho feito, passarei a orar para que meus filhos cresçam com raízes profundas, de tal forma que possam retirar energia das melhores fontes, das mais divinas, que se encontram nos locais mais remotos.
Oramos demais para termos facilidades, mas na verdade o que precisamos fazer é pedir para desenvolver raízes fortes e profundas, de tal modo que quando as tempestades chegarem e os ventos gelados soprarem, resistiremos bravamente, ao invés de sermos subjugados e varridos para longe.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Um ato de amor

Aquele era um dia dos mais felizes na vida de André. Afinal, ele iria realizar seu grande sonho: mergulhar na piscina grande do clube.
Seu pai havia lhe prometido que, quando ele completasse cinco anos de idade, poderia entrar na piscina dos adultos. Na companhia do pai, é claro.
O pequeno André estava radiante naquela manhã ensolarada de domingo. Ele e o pai chegaram cedo ao clube. E como o pai precisava fazer o exame médico, pediu ao filho que o aguardasse por alguns minutos.
Mas André, que não via a hora de pular naquele mar de águas azuis, tão logo o pai se afastou, correu para a piscina e mergulhou com vontade.
Foi só depois do mergulho que ele se deu conta de que aquela piscina não tinha fundo. Acostumado com a piscina rasa onde sentia seus pezinhos firmes no chão, não desconfiava que a piscina grande era diferente.
Aqueles foram os segundos mais dolorosos da sua existência… A água entrando em seus pequenos pulmões… Seus bracinhos frágeis tentando alcançar a superfície, respirar… Tudo em vão.
Ao redor, o silêncio…
André percebeu que não adiantava mais lutar… Resolveu parar de se debater e dormir…
Tudo foi ficando longe, a angústia passou e ele sentiu que uma mão iluminada se estendia na sua direção…
Percebeu, ao longe, um túnel de luz que o atraía… Entregou-se àquele sono diferente… E nada mais percebeu.
Algum tempo depois André recobrou os sentidos, mas já não estava mais na água, estava no hospital… Os pais, em desespero, vibraram quando ele deu os primeiros sinais de vida…
Os anos se passaram e André nunca esqueceu aquele episódio.
Na sua juventude, foi que seu pai lhe contou como ele havia sido salvo. Um homem bom que passava pela piscina naquele dia distante, viu algo estranho no fundo da água e perguntou a outro homem, que também estava nas proximidades, o que era aquilo.
O outro disse que talvez fosse um desses garotos testando por quanto tempo poderia ficar sem respirar.
Mas o homem bom não se contentou com a resposta. Mergulhou imediatamente e descobriu o corpo do garoto, quase sem vida. Retirou-o da água e constatou que seu corpo já estava todo roxo. Não podia perder nenhum minuto. Começou ali mesmo os procedimentos para reavivar aquele corpinho inerte. Com as técnicas adequadas conseguiu reativar seu coraçãozinho e o garoto foi levado às pressas para o hospital.
Mas o mais importante dessa história, foi o homem que salvou a vida de André. Como ele sabia as técnicas exatas para efetuar aquele salvamento? Na verdade essa habilidade lhe custou muito caro. Um dia ele viu seu filho pequeno morrer daquela mesma forma, porque não sabia o que fazer…
Com o coração dilacerado de dor, aquele pai prometeu a si mesmo que jamais deixaria alguém morrer na sua frente por falta de socorro. Fez cursos e aprendeu todos os procedimentos para atendimentos de emergência. E foi assim que ele conseguiu fazer com que o pequeno André recuperasse os sinais vitais e conseguisse chegar vivo até o pronto socorro.
Tudo porque aquele pai não se deixou abater pela dor. Pelo contrário, viu na dor um grande desafio. O desafio de ser um agente de Deus junto aos seus filhos. O desafio de ser um agente do bem.
Um pai… Uma dor… Uma nobre decisão… Um grande exemplo.
E quanto a André? Terá feito jus a essa segunda chance recebida? Sim, é claro! Hoje ele é o jovem pai de dois meninos. Seus pulmões foram poupados para que ele fosse um excelente saxofonista e alegrasse o mundo através da música.
Um garoto e seu sonho inocente… Um homem bom… Uma bela história…

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Formação para a vida

Reinaldo era um jovem príncipe, herdeiro de um grande reino.
Toda manhã, ao despertar, recebia uma lista de tarefas que devia cumprir. Tarefas que o deixavam muito zangado, porque iam desde limpar os seus sapatos e vestes reais, organizar brinquedos e jogos, até lavar e escovar seu cavalo e organizar o seu quarto. Embora não gostasse, em respeito a seu pai, o rei, ele obedecia. Mas não deixava de ficar olhando as terras e os campos infindáveis que pertenciam à sua família. Também os rebanhos, palácios e os súditos. No palácio, onde vivia, existiam muitos criados prontos para executar todas as tarefas.
Por isso mesmo é que o príncipe não entendia porque ele mesmo tinha que limpar os seus sapatos. Certo dia, ele foi convidado a visitar um pequeno reino para conhecer um príncipe de sua idade, com o intuito de estreitar amizade. O contato com o herdeiro daquele reino fez Reinaldo pensar ainda mais em como ele era injustiçado. É que aquele príncipe tinha a seu serviço três servos. Até o banho era preparado por um deles. Nada de tarefas a cumprir. Era só dar ordens. Quando regressou para sua casa, Reinaldo foi logo falar com seu pai:
- Não entendo, disse ele, porque o senhor faz isso comigo. Sou seu único filho e herdeiro. Por que devo cumprir tarefas? Devo ser motivo de risos entre todo o povo. Vi hoje, no reino vizinho, o que um verdadeiro herdeiro deve fazer: somente dar ordens.

O rei, paciente, perguntou ao filho:
- Como era o reino que você visitou? Era grande como o nosso?
- É claro que não, pai. É muito menor que o nosso, mais pobre, tem menos súditos e o castelo real é dez vezes menor que o nosso. Veja bem, pai: se num reino pobre, o príncipe pode ter três criados para servi-lo, porque eu, num reino tão rico, devo fazer trabalho de criado?

- Pois é, meu filho. Saiba que há anos atrás, o reino vizinho era vinte vezes maior do que o nosso. Nós crescemos, fomos ampliando e o reinado vizinho foi perdendo território. Seu avô sempre me dizia: “se você não pode sequer limpar os próprios sapatos, como poderá cuidar de todo um reino? Se você não é capaz de organizar seu próprio quarto, como irá governar todo um povo?” As tarefas simples, Reinaldo, nos educam, nos preparam para executar as maiores. Para comandar é preciso saber fazer. Até mesmo para exigir qualidade. Se você nunca lavou as próprias vestes, como saberá se o outro as lavou bem? Apenas aceitará o que lhe entregam, da forma que vier. Os seus antepassados foram comprando as terras do reino vizinho, que as perdeu por não saber administrar. Talvez falte ensinar aos príncipes herdeiros lições de humildade, da importância do trabalho simples, diário. O que me diz, filho amado?
O menino pensou um pouco, e declarou:
- Digo que tenho uma lista de tarefas para executar agora, e começarei limpando os sapatos que se sujaram de lama pelo caminho.

Não permita que seu filho se torne um incapaz, em razão do descaso em sua educação. Não o prepare para os tempos de facilidade e abastança, mas para os dias de necessidade e carência, de modo que a incapacidade não o mutile. Prepare-o na arte de auxiliar, de prestar colaboração, todos os dias. Logo mais, ele andará sem você pelos caminhos do mundo. Ensine-o a andar com seus próprios pés, seguro e confiante.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A tapeçaria

Um missionário viajava por terras distantes, quando ao passar por um mercado de um vilarejo, encontrou uma banca de criadores de peças de tapeçaria.

Enquanto andava, um fato lhe chamou a atenção; um homem estava gritando de seu tear em um canto da banca para outro operário do outro lado da banca. Enquanto gritava, fios formavam a peça de tapeçaria como que por mágica. O missionário pediu uma explicação à seu guia.

- O homem que você vê, disse o guia, é um tecelão mestre. Ele grita à seu aprendiz atrás do tear que cor de fio usar e onde colocar. Só o tecelão conhece o projeto inteiro, então é vital que o aprendiz execute os comandos do mestre com extrema exatidão.

- E o aprendiz nunca comete um erro? Perguntou o missionário. - Naturalmente. Mas o tecelão é um homem muito bondoso e neste caso ele raramente colocará o menino para fora do serviço. Ao contrário, sendo um grande artista, ele simplesmente trabalha o erro dentro do projeto.

E o missionário saiu pensando, - Assim é Deus conosco. Nós não podemos ver o padrão que Deus quer dar à peça. Estamos do outro lado do tear olhando para os fios aparentemente colocados sem propósito. Ocasionalmente podemos dar uma olhada no projeto, mas então logo que imaginamos saber tudo, o mestre indica um fio que muda toda a coisa.

Então, temos que confiar, pois o mestre tecelão sabe o que ele faz. - E como o aprendiz, nós também cometemos nossos erros. Colocamos um fio vermelho ao invés de um violeta.
Damos o nó no lugar errado ou deixamos frouxo.

E Deus, em sua misericórdia, não dá bronca mas apanha nossos erros e refaz o projeto.

domingo, 27 de outubro de 2013

O Senhor Palha

 Era uma vez, há muitos e muitos anos, é claro, porque as melhores histórias passam-se sempre há muitos e muitos anos, um homem chamado Senhor Palha. Ele não tinha casa, nem mulher, nem filhos. Para dizer a verdade, só tinha a roupa do corpo. Ora o Senhor Palha não tinha sorte. Era tão pobre que mal tinha para comer e era magrinho como um fiapo de palha. Era por esse motivo que as pessoas lhe chamavam Senhor Palha.
Todos os dias o Senhor Palha ia ao templo pedir à Deusa da Fortuna que melhorasse a sua sorte, mas nada acontecia. Até que um dia, ele ouviu uma voz sussurrar:
— A primeira coisa em que tocares quando saíres do templo há- de trazer-te uma grande fortuna.
O Senhor Palha apanhou um susto. Esfregou os olhos, olhou em volta, mas viu que estava bem acordado e que o templo estava vazio. Mesmo assim, saiu a pensar: “Terei sonhado ou foi a Deusa da Fortuna que falou comigo?” Na dúvida, correu para fora do templo, ao encontro da sorte. Mas, na pressa, o pobre Senhor Palha tropeçou nos degraus e foi rolando aos trambolhões até o final da escada, onde caiu por terra. Ao levantar-se, ajeitou as roupas e percebeu que tinha alguma coisa na mão. Era um fio de palha.
“Bom”, pensou ele, “uma palha não vale nada, mas, se a Deusa da Fortuna quis que eu o apanhasse, é melhor guardá-lo.”
E lá foi ele, com a palha na mão.
Pouco depois, apareceu uma libélula zumbindo em volta da cabeça dele. Tentou afastá-la, mas não adiantou. A libélula zumbia loucamente ao redor da cabeça dele. “Muito bem”, pensou ele. “Se não queres ir embora, fica comigo.” Apanhou a libélula e amarrou-lhe o fio de palha à cauda. Ficou a parecer um pequeno papagaio (de papel), e ele continuou a descer a rua com a libélula presa à palha. Encontrou a seguir uma florista, que ia a caminho do mercado com o filho pequenino, para vender as suas flores. Vinham de muito longe. O menino estava cansado, coberto de suor, e a poeira fazia-o chorar. Mas quando viu a libélula a zumbir amarrada ao fio de palha, o seu pequeno rosto animou-se.
— Mãe, dás-me uma libélula? — pediu. — Por favor!
“Bem”, pensou o Senhor Palha, “a Deusa da Fortuna disse-me que a palha traria sorte. Mas este garotinho está tão cansado, tão suado, que ficará certamente mais feliz com um pequeno presente.” E deu ao menino a libélula presa à palha.
— É muita bondade sua — disse a florista. — Não tenho nada para lhe dar em troca além de uma rosa. Aceita?
O Senhor Palha agradeceu e continuou o seu caminho, levando a rosa. Andou mais um pouco e viu um jovem sentado num tronco de árvore, segurando a cabeça entre as mãos. Parecia tão infeliz que o Senhor Palha lhe perguntou o que tinha acontecido.
— Hoje à noite, vou pedir a minha namorada em casamento — queixou-se o rapaz. — Mas sou tão pobre que não tenho nada para lhe oferecer.
— Bem, eu também sou pobre — disse o Senhor Palha. — Não tenho nada de valor mas, se quiser dar-lhe esta rosa ela é sua.
O rosto do rapaz abriu-se num sorriso ao ver a esplêndida rosa.
— Fique com estas três laranjas, por favor — disse o jovem. — É só o que posso dar-lhe em troca.
O Senhor Palha continuou a andar, levando três suculentas laranjas. Em seguida, encontrou um vendedor ambulante a puxar uma pequena carroça.
— Pode ajudar-me? — disse o vendedor ambulante, exausto. — Tenho puxado esta carroça durante todo o dia e estou com tanta sede que acho que vou desmaiar. Preciso de um gole de água.
— Acho que não há nenhum poço por aqui — disse o Senhor Palha. — Mas, se quiser, pode chupar estas três laranjas.
O vendedor ambulante ficou tão grato que pegou num rolo da mais fina seda que havia na carroça e deu-o ao Senhor Palha, dizendo:
— O senhor é muito bondoso. Por favor, aceite esta seda em troca.
E, uma vez mais, o Senhor Palha continuou o seu caminho, com o rolo de seda debaixo do braço.
Não tinha dado dez passos quando viu passar uma princesa numa carruagem. Tinha um olhar preocupado, mas a sua expressão alegrou-se ao ver o Senhor Palha.
— Onde arranjou essa seda? — gritou ela. — É justamente aquilo de que estou à procura. Hoje é o aniversário de meu pai e quero dar-lhe um quimono real.
— Bem, já que é aniversário dele, tenho prazer em oferecer-lhe a seda — disse o Senhor Palha.
A princesa mal podia acreditar em tamanha sorte.
— O senhor é muito generoso — disse sorrindo. — Por favor, aceite esta jóia em troca.
A carruagem afastou-se, deixando o Senhor Palha com uma jóia de inestimável valor refugindo à luz do sol.
“Muito bem”, pensou ele, “comecei com um fio de palha que não valia nada e agora tenho uma jóia. Sinto-me contente.”
Levou a jóia ao mercado, vendeu-a e, com o dinheiro, comprou uma plantação de arroz. Trabalhou muito, arou, semeou, colheu, e a cada ano a plantação produzia mais arroz. Em pouco tempo, o Senhor Palha ficou rico.
Mas a riqueza não o modificou. Oferecia sempre arroz aos que tinham fome e ajudava todos os que o procuravam. Diziam que a sua sorte tinha começado com um fio de palha, mas quem sabe se não terá sido com a sua generosidade?
William J. Bennett

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Guarde isso no seu coração

Não espere o vento soprar na sua direção, nem corra atrás do vento. A vida está dentro de você e viver este dia é o melhor que você pode fazer. Não deixe alguém esperando pela sua palavra. Abra o seu coração e olhe para a dor da humanidade. Do seu lado pode estar alguém que sofre em silêncio.

Não se feche nem retenha as coisas boas. Solte, libere a sua melhor parte. Há muitas mãos estendidas, Há muitos rostos chorando, Há muitas vidas precisando de você. Há dor no mundo! Há fome! Há luta! Há dor sobretudo NA ALMA das pessoas. Você pode, se você acha que pode. Faça algo neste dia. . .

Pode ser que amanhã a sua palavra Fique presa na garganta porque A morte se sobrepõe a vida. Não retenha a sua fidelidade, O seu gesto de amor, A sua solidariedade, A sua amizade,
O seu melhor sentimento.

Não sabemos o que nos espera no próximo minuto. Uma existência pode se esvair num segundo. Faça a sua parte no mundo. Não silencie, não se omita.

Pode ter certeza. Algum coração neste momento bate por você, Uma alma ferida precisa das suas palavras, Um amigo espera seu gesto, Um faminto espera o pão, um doente a cura, Alguém que você nem conhece deseja Intensamente estar vivo e no seu lugar.

Deus habita no meio daquele Que tem o maior sentimento do universo: O AMOR !!! Ama teu próximo - como a ti mesmo.

 (Dulce Regina Breim)

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Ofendendo-se

As pessoas maduras não se abalam por causa de comentários indelicados de outras pessoas. De vez em quando as pessoas dizem coisas para nos testar e fazem comentários do tipo: “você não trabalha duro!” ou “você come demais!” ou ainda “todo mundo sabe que você casou com ele por dinheiro!”. Às vezes, essas coisas são ditas por inveja, mas com freqüência, são ditas para provocar uma reação. Qualquer que seja o motivo, a melhor maneira de lidar com isso é sorrir e, ou não dizer nada, ou concordar com a pessoa.

Assim sendo, da próxima vez que seu vizinho o vir em seu carro novo e disser: “você não trabalha quase nada e, ainda assim, eles lhe pagam uma fortuna!”, simplesmente sorria e responda: “não é maravilhoso?”. Você não tem de explicar nada sobre suas responsabilidades e sobre o tempo que fica “ralando” no trabalho. Não precisa justificar. Apenas sorria e deixe isso para lá.

Quando a sua cunhada observar coisas do tipo: “você está sempre tirando férias!”, concorde com ela. Diga: “sim, adoro tirar férias!”. Se o seu primo disser: “puxa, você deve ter gasto uma nota nessa piscina”, sorria e fale: “pode apostar que sim. É que detesto piscinas baratas”!

Não se deixe perturbar. Você não vai ganhar nada discutindo com seu primo, sua cunhada, seu vizinho ou com quem quer que seja. Quando encontrar com pessoas assim, concorde com elas de uma maneira gentilmente natural. Se você começar a tentar se defender, estará frito.

Em poucas palavras: somente pessoas que “pensam pequeno” fazem comentários desagradáveis; e somente pessoas que também “pensam pequeno” se ofendem. Seja alguém que “pensa grande”.