segunda-feira, 11 de novembro de 2013

As pequenas Dádivas


A família, constituída do pai e um filho menor era pobre, vivendo com os poucos recursos financeiros que o pai ganhava no trabalho de vigilância noturna.
Certo dia o pai adoeceu, ficando acamado por tempo mais longo do que podiam suportar suas economias.
Com falta do que comer em casa, o filho pequeno saiu às ruas pedindo comida para ele e para o pai doente.
Escondendo as lágrimas pela tristeza e pela preocupação, passou o primeiro dia sem nada conseguir. No segundo dia, quase ao anoitecer, enquanto revirava um saco com lixo residencial em frente a uma loja que estava encerrando o expediente, viu se aproximar um senhor de meia idade, sorridente, com ar bondoso, que trazia nas mãos um marmitex, bem quentinho, que lhe ofereceu.
Meio receoso, o menino segurou a marmita ouvindo a recomendação do seu benfeitor:
- Coma enquanto está quente!
- Muito obrigado, senhor, mas gostaria de ir comê-la em casa, para repartir com meu pai. Disse o menino.
Sorridente e paternal, o lojista perguntou-lhe:
- O que o seu pai faz em casa, enquanto você sai por aí procurando o que comer? Ele não trabalha?
- Trabalha sim, e muito. Mas, há dias está acamado. Como acabou o dinheiro para comprar comida, fui obrigado a sair pedindo um pedaço de pão. Só que não tenho recebido quase nada.” Respondeu o pequeno andarilho.
- Você mora muito longe daqui? Continuou o bom senhor.
- Não, não. Em pouco tempo eu chego lá. E sei que a comida ainda estará bem quentinha. Apressou-se em dizer o menino, com olhos um pouco mais alegres.
- Quer saber, meu pequeno, eu vou até lá com você, se você deixar. Assim, aprendo onde você mora e aproveito para conhecer seu pai. Que tal? Acrescentou o jovem senhor.
O menino concordou e lá se foram os dois.
O quadro com que se deparou o dadivoso lojista, ao entrar no barraco, era de lastimar. No entanto, pai e filho sorriam diante do alimento, que o menino rapidamente dividiu em dois pratos e serviu logo ao chegar em casa.
Depois que os dois terminaram a rápida refeição, a primeira nos últimos dois dias, o nobre comerciante despediu-se e retornou ao seu lar, prometendo voltar em breve.
Alguns dias se passaram, quando, também num final de tarde, entram na loja o menino e seu pai, este um pouco mais disposto, procurando pelo dono.
Vieram para agradecer, disseram à jovem senhora que estava atendendo no balcão, ao tempo que queriam saber o que poderiam fazer para retribuir a dádiva da comida limpa e quentinha, que haviam recebido dele.
Enquanto seu pai falava com a atendente, o menino começou a juntar pedaços de papel que estavam no chão, quando chegou o dono da loja, marido da senhora que os atendia.
Alegria, abraços e boa conversa.
Ao se despedirem, o lojista olha demoradamente para o menino e lhe diz:
- Meu pequeno, você não tem o que me agradecer, eu apenas fiz o que faria por um filho meu. Fico feliz de ter podido ajudar. No entanto, se você quiser, poderá vir trabalhar comigo, ajudando-me na loja, assim, não será preciso você sair por aí pedindo comida, caso o seu pai volte a adoecer. Que tal?
O menino timidamente olhou para o seu pai, como a perguntar com o olhar: “e aí, o que eu digo?”
O pai, discretamente lhe fez um sinal afirmativo com a cabeça, sem nada falar. A partir daí, o menino começou trabalhar. Passado um tempo, voltou para a escola, e continuou trabalhando.
Cresceu, tornou-se adulto e, na loja continuava a trabalhar. Sempre com muita seriedade, responsabilidade e espírito de gratidão.
Seu pai veio a falecer, por causa da idade avançada. O casal de lojistas não tinha filhos. Com o tempo, chegou a velhice dos dois. Logo mais a esposa faleceu. E aquele menino, agora já um homem, foi quem ficou cuidando da loja e do bondoso lojista, amparando-o na velhice, auxiliando-o na enfermidade, acompanhando-o no dia-a-dia, como devotado filho.
E pensar que tudo começou com um prato de comida!
Uma pequena dádiva, modificando destinos.
Um sorriso, um gesto de carinho, um telefonema, um e-mail, um abraço, um beijo, uma palavra de apoio e de incentivo, uma flor, um bilhete, um cartão postal, um aceno, um bombom, um copo com água, um pedaço de pão.
Nós podemos fazer muito, com tão pouco…
Pense nisso, mas pense agora!

domingo, 10 de novembro de 2013

Reforço Positivo


Há alguns anos, eu trabalhei como coordenador em uma grande escola pública. Encontrei muitos aspectos agradáveis e compensadores em minhas atribuições, entretanto, havia pouca satisfação em supervisionar os três períodos de lanche a cada dia.
Garantir que os estudantes não abusassem nas bandejas, não jogassem purê de batatas nas roupas uns dos outros, nem colar ervilhas no teto ou em seus colegas, não constava em minha lista de coisas “profissionais” a fazer.
Os dias anteriores aos períodos das férias eram, particularmente, dias terríveis no restaurante. E foi em um destes dias que eu observei um aluno derramando seu leite. Que sujeira. Derramou sobre a mesa, o banco e o chão. Eu desviei rapidamente meu olhar para outro lado mas fiquei prestando atenção com o canto dos olhos.
Eu sabia que aquele garoto tentaria escapar, deixando para outra pessoa (como eu) a tarefa de limpar a bagunça. Assim que ele pisasse fora do restaurante eu o alcançaria e o faria limpar tudo, assim aprenderia como é divertido.
Eu disfarçadamente prestava atenção quando começou sua escapada. Mas, para minha surpresa aproximou-se do balcão e recolheu diversos guardanapos e voltou à cena do crime. Depois de limpar em cima da mesa, limpou o banco e depois o chão. Ao sair, jogou todos os guardanapos na lixeira.
Após recuperar meu controle, segui o jovem. Perguntei o seu nome, agradeci por sua consideração e o elogiei por ser tão consciencioso. Ele respondeu,
- Tudo bem. E seguiu seu caminho.
Me ocorreu falar com sua família, e decidi fazê-lo mais tarde naquele mesmo dia.
Passava um pouco das 5:00 quando abri a porta do carro para ir para casa. Ocorreu-me de repente que tinha esquecido de contatar os pais. Meu primeiro pensamento foi de deixar para o dia seguinte, mas então pensei melhor e voltei à minha sala. Verifiquei o número no registro, peguei o telefone e disquei. Após alguns toques, uma senhora atendeu.
- Alô! Aqui é Rich Kornoelje da escola. – Me anunciei.
Ouvi um “engolir em seco” do outro lado da linha e só então percebi que as únicas vezes que eu contatava com os pais era quando havia
problema ou má notícia. Então, eu disse rapidamente,
- Seu filho fez algo hoje que demonstrou realmente ter uma boa educação. – E contei toda a história.
No início houve silêncio. Então pude ouvir alguns “snifs”, seguidos de alguns suspiros. Após recuperar a calma, a mãe disse,
- Você não imagina o significado deste seu telefonema. Meu marido me deixou há alguns anos e eu tive que educar este jovem sozinha, e é muito difícil. Eu sei como ele se comporta em casa, mas sempre me preocupei com seu comportamento fora de casa. Você não sabe o bem que seu telefonema me fez.
Na verdade, aquele telefonema fez bem par mim. Foi uma experiência
que mudou a minha vida. Eu me perguntei:
- Por que elogiamos tão pouco?
Desde então, eu faço ao menos um contato positivo com pais por semana e encorajo – sem obrigar – meus professores a fazer o mesmo.
Nos esforçamos para fazer contato com pais de aluno que não seja elogiado freqüentemente. Os pais ficam felizes, o aluno melhora o comportamento, o professor fica satisfeito e todos ganham.

sábado, 9 de novembro de 2013

Na construção do amanhã


Nos Estados Unidos, o dia dos namorados é comemorado a 14 de fevereiro. Nesse dia, as pessoas costumam enviar cartões não somente para os namorados. Também a amigos e pessoas queridas.
Foi com preocupação que a mãe de um garoto tímido e calado ouviu-o dizer que desejava dar um cartão para cada colega seu.
Chad era um excluído na classe. A mãe o via, todos os dias, retornando da escola.
A turma vinha na frente, brincando, conversando. Ele sempre atrás, sozinho. Ela ficou angustiada. Mesmo assim, nos dias que se seguiram ela ajudou o filho a confeccionar os cartões.
Comprou papel, cola e lápis de cor. E ele trabalhou com afinco.
Finalmente, no dia dos namorados, estavam prontos os 35 cartões.
Ele não cabia em si de contentamento.
A mãe passou o dia preocupada. Tinha certeza que ele voltaria desapontado. Não receberia nenhum cartão.
Por isso, resolveu fazer alguma coisa para amenizar a situação. Assou
biscoitos especiais que ele gostava.
Depois, ficou esperando. Olhou pela janela e viu os garotos. Como sempre, eles vinham rindo e se divertindo.
Como sempre, Chad vinha atrás do grupo.
Caminhava, no entanto, um pouco mais rápido do que o normal.
Quando entrou em casa, ela esperou que ele se desmanchasse em lágrimas.
Chegou de mãos vazias, como ela pensara. Segurando o pranto, a mãe lhe disse: “Filho, preparei um lanchinho para você.”
Mas Chad não prestou atenção ao que ela disse. Com passos firmes, se encaminhou para a cozinha, repetindo: “Nenhum…nenhum..”
Nesse momento, a mãe observou que o rosto do filho brilhava de alegria. E o ouviu completar a frase: “Não esqueci nenhum, nenhum deles!”
A atitude do garoto é altruísta e denota uma alma que muito mais se preocupa em ofertar amor, do que buscar ser amado.
Poucas criaturas podem superar, contudo, situações semelhantes.
O “bulling”, essa prática de agressividade repetida, muito comum entre
crianças e adolescentes, tem dado causa a alguns desastres.
O fenômeno é mundial. Crianças e adolescentes são excluídos pelos colegas, perseguidos e humilhados. Muitos abandonam a escola, sem condições de prosseguirem enfrentando humilhações e trotes.
As estatísticas apontam ainda crescente número de suicídios na faixa etária da infância/adolescência, como efeito do “bulling”.
Qual será o motivo de tamanha crueldade?
Educadores e pais: estejamos atentos. Observemos o comportamento dos nossos filhos.
Serão eles os promotores do “bulling” ou suas vítimas?
É tempo de ensinar a amar em nosso lar. A respeitar os diferentes. A imitar os melhores, não tentar destrui-los.
Pensemos: quais são os comentários que nossos filhos mais ouvem, com respeito aos outros seres, em nosso lar?
Que falamos a respeito dos colegas de trabalho, dos vizinhos, dos filhos dos outros?
É possível que descubramos que essa manifestação doentia, o “bulling’, seja a resultante da indiferença e do desamor que ensinamos a eles, todos os dias.
Pensemos nisso! O mundo melhor do amanhã está em nossas mãos.
Depende de nós a geração que se estrutura hoje para atuar no mundo logo mais, como cidadãos do mundo, herdeiros das nossas riquezas morais

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O jovem e o cego

Vinham dois homens a caminhar… Um era jovem, trazia em seu rosto os sinais da inexperiência.
Os olhos vivos e atentos a tudo, como a querer aspirar a vida em um só fôlego. Tencionava modificar o mundo, revolucionar sua época, ensinar o muito que julgava saber.
O outro trazia no semblante as marcas do tempo, já não queria tomar o mundo, contentava-se em apreender um pouco, aqui e ali, analisando sereno, as experiências que a vida lhe apresentava.
Tampouco desejava deixar suas marca nos homens e nas coisas que o rodeavam.
Não queria discípulos, nem seguidores, não pretendia modificar a ninguém,
a não ser seu próprio eu. Era cego de nascença, porém apesar de ter fechados os olhos do corpo, possuía abertos os da alma.
Vinham em silêncio, quando o jovem, surpreso, exclamou:
- Uma pipa! Uma pipa no céu!
- Estás tão alegre em vê-la, ainda que distante. Porque? – perguntou o cego.
- Claro, toda vez que vemos uma pipa, uma só idéia nos assalta a alma, a idéia da liberdade. E qual de nós não valoriza a possibilidade de sentir-se livre? – disse o jovem.
- Liberdade? Estranho; para mim a pipa tem outro significado.
- Outro significado? Como? Sabes o que é uma pipa?
- Sim, meu amigo, sei o que é uma pipa, papagaio, pandorga, como queira chamar. Mas para mim, tal objeto traz-me a lembrança responsabilidade e bom-senso.
- Não entendo…
- O exercício da liberdade é complexo e fundamental em nossas vidas. Como a pipa, só podemos alçar vôos mais altos se a nos prender no solo, tivermos um fio resistente e mãos hábeis que nos manipulem com acerto. Tais instrumentos são a responsabilidade e o bom-senso. E só fazendo uso de tais ferramentas que dirigem e orientam o nosso vôo, podemos ter certeza que estamos fazendo bom uso da liberdade que nos é concedida.
É a segurança de que a pipa precisa para subir… subir… Assim o limite para os nossos passos não é o espaço que nos rodeia, mas o comprimento do fio que nos prende ao solo, ou seja, a certeza que possuímos e de que estamos utilizando nossa liberdade de acordo com as normas que nos ditam o bom senso e a responsabilidade que já adquirimos. Muitas vezes, meu jovem, os olhos nos enganam. Não basta vermos, é preciso, enxergamos além.
O jovem, deu o braço ao cego, calou-se e em seu silêncio, entregou-se à reflexão.
O moço é o instinto primeiro; o velho é a sabedoria.
O instinto nos impulsiona, a sabedoria nos guia.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O Concerto do grande Mestre…

Desejando encorajar o progresso de seu jovem filho ao piano, uma mãe levou seu pequeno filho a um concerto de Paderewski. Depois de sentarem, a mãe viu uma amiga na platéia e foi até ela para saudá-la. Tendo a oportunidade para explorar as maravilhas do teatro, o pequeno menino se levantou e eventualmente suas explorações o levaram a uma porta onde estava escrito “PROIBIDA A ENTRADA”.
Quando as luzes abaixaram e o concerto estava prestes a começar, a mãe retornou ao seu lugar e descobriu que seu filho não estava lá. De repente, as cortinas se abriram e as luzes caíram sobre um impressionante piano Steinway no cento do palco. Horrorizada, a mãe viu seu filho sentado ao teclado, inocentemente catando as notas de ” Cai, cai, balão “.
Aquele momento, o grande mestre de piano fez sua entrada, rapidamente foi ao piano, e sussurrou no ouvido do menino:
- “Não pare, continue tocando. Então, debruçando, Paderewski estendeu sua mão esquerda e começou a preencher a parte do baixo. Logo, colocou sua mão direita ao redor do menino e acrescentou um belo acompanhamento de melodia.
Juntos, o velho mestre e o jovem noviço transformaram uma situação embaraçosa em uma experiência maravilhosamente criativa.  O público ficou perplexo…
É assim que as coisas são com Deus. O que podemos conseguir por conta própria mal vale mencionar. Fazemos o melhor possível, mas os resultados não são exatamente como uma música graciosamente fluida. Mas, com as mãos do Mestre, as obras de nossas vidas verdadeiramente podem ser lindas. Na próxima vez que você se determinar a realizar grandes feitos, ouça atentamente.
Você pode ouvir a voz do Mestre, sussurrando em seu ouvido: “Não pare, continue tocando”. Sinta seus braços amorosos ao seu redor. Saiba que suas fortes mãos estão tocando o concerto de sua vida. Lembre-se, Deus não chama aqueles que são equipados. Ele equipa aqueles que são chamados. E Ele sempre estará lá para amar e guiar você a grandes coisas.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O Tesouro de Bresa

Houve outrora, na Babilônia, um pobre e modesto alfaiate chamado Enedim, homem inteligente e trabalhador, que não perdia a esperança de vir a ser riquíssimo. Como e onde, no entanto, encontrar um tesouro fabuloso e tornar-se, assim, rico e poderoso?
Um dia, parou na porta de sua humilde casa, um velho mercador da fenícia, que vendia uma infinidade de objetos extravagantes.
Por curiosidade, Enedim começou a examinar as bugigangas oferecidas, quando descobriu, entre elas, uma espécie de livro de muitas folhas, onde se viam caracteres estranhos e desconhecidos.
Era uma preciosidade aquele livro, afirmava o mercador, e custava apenas três dinares. Era muito dinheiro para o pobre alfaiate, razão pela qual o mercador concordou em vender-lhe o livro por apenas dois dinares.
Logo que ficou sozinho, Enedim tratou de examinar, sem demora, o bem que havia adquirido.
Qual não foi sua surpresa quando conseguiu decifrar, na primeira página, a seguinte legenda: “o segredo do tesouro de Bresa.”
Que tesouro seria esse?
Enedim recordava vagamente de já ter ouvido qualquer referência a ele, mas não se lembrava onde, nem quando.
Mais adiante decifrou: “o tesouro de Bresa, enterrado pelo gênio do mesmo nome entre as montanhas do Harbatol, foi ali esquecido, e ali se acha ainda, até que algum homem esforçado venha encontrá-lo.”
Muito interessado, o esforçado tecelão dispôs-se a decifrar todas as páginas daquele livro, para apoderar-se de tão fabuloso tesouro.
Mas, as primeiras páginas eram escritas em caracteres de vários povos, o que fez com que Enedim estudasse os hieróglifos egípcios, a língua dos gregos, os dialetos persas e o idioma dos judeus.
Em função disso, ao final de três anos Enedim deixava a profissão de alfaiate e passava a ser o intérprete do rei, pois não havia na região ninguém que soubesse tantos idiomas estrangeiros.
Passou a ganhar muito mais e a viver em uma confortável casa. Continuando a ler o livro encontrou várias páginas cheias de cálculos, números e figuras.
Para entender o que lia, estudou matemática com os calculistas da cidade e, em pouco tempo, tornou-se grande conhecedor das transformações aritméticas.
Graças aos novos conhecimentos, calculou, desenhou e construiu uma grande ponte sobre o rio Eufrates, o que fez com que o rei o nomeasse prefeito.
Ainda por força da leitura do livro, Enedim estudou profundamente as leis e princípios religiosos de seu país, sendo nomeado primeiro-ministro daquele reino, em decorrência de seu vasto conhecimento.
Passou a viver em suntuoso palácio e recebia visitas dos príncipes mais ricos e poderosos do mundo.
Graças a seu trabalho e ao seu conhecimento, o reino progrediu rapidamente, trazendo riquezas e alegria para todo seu povo.
No entanto, ainda não conhecia o segredo de Bresa, apesar de ter lido e relido todas as páginas do livro. Certa vez, teve a oportunidade de questionar um venerando sacerdote a respeito daquele mistério, que sorrindo
esclareceu:
“O tesouro de Bresa já está em seu poder, pois graças ao livro você adquiriu grande saber, que lhe proporcionou os invejáveis bens que possui. Afinal, Bresa significa saber e Harbatol quer dizer trabalho.”
Com estudo e trabalho pode o homem conquistar tesouros inimagináveis.
O tesouro de Bresa é o saber, que qualquer homem esforçado pode alcançar, por meio dos bons livros, que possibilitam “tesouros encantados” àqueles que se dedicam aos estudos com amor e tenacidade.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

“A formiga e a folha”

Observando algumas formigas no jardim aqui de casa, percebi que todas seguiam uma mesma rota carregando folhas maiores que elas mesmas. Mas seguiam firme em direção ao formigueiro que descobri poucos passos adiante, o que para elas deveria representar uma grande viagem. De repente percebo que uma delas está com uma folha exageradamente grande nas costas.
Deveria ser pelo menos vinte vezes maior que ela, e seu esforço era notado a distância. Fiquei ali imaginando o orgulho dessa formiga presunçosa, carregando aquela folha gigantesca e como ela deveria estar ansiosa em mostrar a formiga rainha como ela era forte, como ela era capaz, quem sabe até ganharia uma promoção.
Enquanto a fila de formigas seguia em direção ao formigueiro, essa formiga girava em volta de si mesma, sem conseguir sair do lugar, seu esforço era tão grande que mal avançava um passo, voltava dois para trás. Estava tão cega, tão entretida na sua luta de carregar aquele mundão nas costas que nem percebeu que todas as formigas largaram as folhas para escapar do pé de um menino que vinha correndo atrás de uma bola.
As formigas escaparam por pouco, mas nossa amiguinha não teve a mesma sorte e morreu esmagada, agarrada à sua folha gigante. Assim como a formiga, nós seres humanos inteligentes e sensíveis, de vez em quando queremos carregar mais coisas em nossas costas do que podemos suportar. Os problemas dos outros, as dores do mundo e a ganância de querer sempre mais, de ser mais e melhor. Quando acordamos para a realidade estamos esmagados pelo peso de nossa insensatez.
Cuide mais de você. O dia passa, as pessoas passam, o tempo passa, mas você fica. Você será a sua eterna companhia. Todos podem até fugir de você, mas você não pode fugir desse encontro com você mesma, com a sua paz interior, com a sua felicidade. Por amor a você, carregue apenas a sua mala e de preferência, o mais vazia
possível!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Pense

 Quando a sombra do desencanto vier acompanhar teus sonhos, pense naqueles que nunca tiveram condições de sonhar, por se encontrarem na vida em constantes pesadelos, na luta incessante contra a fome que pede a atenção permanente, e que pode levar ao desespero e à loucura.

Quando te acreditares desamparado, pense nas criancinhas que perambulam pelas ruas, sentindo o frio das noites medonhas e escuras, pedindo pelo aconchego de um braço materno ou pela orientação de um pai, que possa evitar a precipitação nos abismos do vício.

Quando te encontrares enfermo, pense naqueles que jazem nos leitos dos hospitais, sem a presença de algum familiar, tendo por companhia apenas o medo da morte, padecendo terríveis dores físicas e morais de moléstias incuráveis.

Quando perderes a esperança, pense nos criminosos que se amontoam nas celas inóspitas dos presídios, torturados pelo remorso e pela revolta, algemados nas correntes do ódio e do sentimento de vingança.

Quando te queixares pelo cansaço, pense nos paralíticos, nos aleijados, nos deficientes de toda sorte, que, na imobilidade das forças físicas, dariam tudo para poderem trabalhar e servir.

Quando perderes alguma posição no mundo, pense naqueles que já abandonaram a vestimenta carnal, a fim de assinalares o verdadeiro significado do poder, do sucesso, da riqueza ou da fama temporal.

Quando te encontrares satisfeito em todas as tuas necessidades, pense naqueles que dormem nos prazeres efêmeros da vida material - esquecidos de que a vida é simples passagem, que requer de nós trabalho e engrandecimento - para depois despertarem na vida espiritual sob completa miséria moral.

Quando te sentires feliz, pense nos desvalidos, nos estropiados, nos desequilibrados, nos tristes, a fim de que, compartilhando da tua felicidade, possas multiplicá-la.

Quando te considerardes sem motivos para viver, pense naqueles que estão à beira do precipício do suicídio, ou naqueles que já tiraram a própria vida, socorrendo-os com a tua solidariedade, e assim, certamente encontrarás uma forte razão para viver.

E quando nada disso vier a te sensibilizar ou transformar a tua posição mental, pense naquele que se deixou imolar na cruz, humilhado e abandonado, a fim de aliviar os nossos pesados sofrimentos; aquele que pronunciou o “vinde a mim” e ofereceu-nos o “jugo suave” e o “fardo leve”.

Embora não tenhamos com freqüência pensado nele,
Ele continua, até hoje, pensando em nós.

 (Alexandre Paredes)

domingo, 3 de novembro de 2013

O PINTINHO

Eu tinha dez anos quando encontrei, entre minhas colegas, a
primeira amiga de verdade.

Nossa camaradagem tornou-se a coisa mais importante para mim.
Entretanto, eu era de natureza exclusivista e me sentia
violentamente enciumada sempre que ela manifestava interesse por
alguma coisa que nada tivesse a ver comigo.

Mamãe compreendeu o que estava ocorrendo. Um dia ela chamou-me
para ver uma ninhada de pintinhos que havia acabado de sair do
ovo. Fiquei encantada. Eram umas coisinhas lindas, feitas de
suave veludo cor-de-ouro.

Em meu entusiasmo, colhi um deles na mão. Mas apertei-o com tanta
força, que por um pouco, não o sufoquei. Ele, naturalmente lutou
para escapar até que, desvencilhando-se, correu para longe de mim.

Mamãe notou o meu desapontamento e disse:

-- Pegue um outro, mas procure segurá-lo suavemente. Se você o
prender com muita força, por instinto, ele vai querer fugir. Fiz
uma segunda tentativa e o pintinho aninhou-se quietinho na palma
de minha mão. Senti-me muito feliz e sorri para mamãe. Foi quando
ela me disse:

-- Sabe, meu bem, as pessoas, neste mundo, são como esses
pintinhos. Quando agarramos com muita força aqueles que amamos,
tentando aprisioná-los em nossa mão, eles, naturalmente, não se
sentem bem. E lutam por readquirir a liberdade, como fez o
primeiro pintinho que você pegou. Mas se os colocamos na palma da
mão, sem fechar os dedos, de modo que sintam apenas o nosso
calor, percebem logo que não desejamos aprisioná-los, pelo
contrário, apenas aquecê-los com um pouco de nós mesmos, sem a
pretensão de exigir-lhes nada.

Foi o que sucedeu com o segundo pintinho.

Aquilo me impressionou muito e guardei a lição. Não quero dizer
que deixei de sentir ciúmes, pois isso faz parte da natureza
humana. Todavia quando o exclusivismo fala mais alto em meu
espírito, controlo-me mentalizando a figura daquele pintinho na
palma da minha mão.

Foi assim que aprendi a manter junto de mim aqueles que, pensando
seriamente, desejo que permaneçam perto do meu coração...  :-)

  Autor: Wallace Leal Rodrigues.

sábado, 2 de novembro de 2013

Cruz Trocada

Há uma poesia chamada “Cruz Trocada”, que fala de uma mulher que, cansada, achou que sua cruz era mais pesada do que a das pessoas à sua volta, e desejou trocá-la por outra.
Certa vez sonhou que tinha sido levada a um lugar onde havia muitas cruzes, de diversos formatos e tamanhos. Havia uma bem pequena e linda, cravejada de ouro e pedras preciosas.
Ah! esta eu posso carregar facilmente, disse ela. Então tomou-a mas seu corpo frágil estremeceu sob o peso daquela cruz. As pedras e o ouro eram lindos, mas o peso era demais para ela.
A seguir, viu uma bonita cruz, com flores entrelaçadas ao redor de seu tronco e braços. Esta seria a cruz ideal. Então pensou, tomou-a mas, sob as flores haviam espinhos que lhe feriram os ombros.
Finalmente, mais adiante, viu uma cruz simples, sem jóias, sem entalhes, tendo apenas algumas palavras de amor escritas em seus braços.

Pegou-a, e viu que era a melhor de todas, a mais fácil de se carregar, e enquanto a contemplava, banhada pela luz, que vinha do céu, reconheceu que era a sua própria cruz.

Ela a havia encontrado de novo, e era a melhor de todas e a que lhe pareceu mais leve
Deus sabe melhor qual é a cruz que deve nos levar. Nós não sabemos o peso da cruz dos outros. Invejamos uma pessoa que é rica, a sua cruz é de ouro e cravada com pedras preciosas, mas não sabemos o peso que ela tem. Ali está outra pessoa cuja vida parece muito agradável.
Sua cruz está ornada de flores. Se pudéssemos experimentar todas as outras cruzes que julgamos mais leves do que a nossa, descobriríamos, por fim, que nenhuma delas é tão certa para nós como a nossa.
Deus está com você, lhe ajudando a carregar a sua cruz.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O Crucifixo de Prata

Certa manhã, na cidade de Siena, Catarina estava indo para a missa na igreja de São Domingos. As ruas ainda estavam escuras, mas o sol já dava toques de ouro nos telhados e torres da cidade. Catarina olhava a luz do sol nascente quando surgiu alguém que pegou em seu casaco. – Por favor, me ajude – sussurrou uma voz. Ao se virar para o dono da voz, ela viu um homem encostado à parede; tão magro e pálido que mal se aguentava em pé.
- De que você precisa? – perguntou ela caridosamente.

- Preciso de ajuda para viajar – respondeu o homem.

- Moro muito longe, lá na montanha, e vim aqui procurar trabalho. Mandei tudo para minha esposa comprar comida aos filhos. Preciso de dinheiro para comer alguma coisa e recobrar minhas forças.
- Daria de todo coração – murmurou Catarina – mas sou apenas uma irmã da Ordem de São Domingos e não tenho dinheiro.
Ia seguindo seu caminho quando o homem tocou suavemente novamente em seu casaco.

- Por favor, me ajude! – insistiu ele – preciso de muito pouco.
Catarina olhou-o com piedade.

Não queria ignorar o pedido, mas que podia fazer? Já dera tudo que possuía. Seus pais eram bondosos, mas não podia pedir que descem o que tinham a um perfeito estranho. E havia tantos… tantos necessitados além desse homem…
Rezou pedindo auxílio, os dedos cruzados sobre o pequeno crucifixo de prata que usava desde menina, e que sempre segurava quando voltava o pensamento para Deus.
De repente, teve a solução. É verdade que era apenas uma cruzinha do tamanho de uma moeda, já um tanto gasta por tantas vezes tomá-las entre as mãos. Mas, sendo de prata, ele poderia vender… comprar comida e voltar para casa.
Pôs o crucifixo nas mãos do homem e apressou o passo para chegar a tempo da missa. Embora tivesse dado o objeto que mais prezava, sentia o coração leve e feliz como se tivesse recebido um presente valioso. Ao se ajoelhar na igreja, aconteceu uma coisa muito estranha. Catarina viu-se num amplo salão de teto em arco, cheio de belos tesouros. No meio deste salão estava JESUS, trazendo na mão o mais belo de todos os objetos – uma cruz de ouro cravejada de pedras preciosas, tão refulgentes de glória que lhe enchia os olhos.

- Veja esses tesouros – disse o Senhor – são as mais belas ações dos homens, praticadas em meu nome.
Catarina ficou encantada diante daqueles tesouros, mas um desejo aflorou em seu coração e ela disse:

- Oh, Senhor! Sou apenas uma pobre irmã. Nada posso oferecer que encontre lugar entre tais maravilhas.
Jesus sorriu e, levantando a cruz, disse:

- Já viu esta cruz, Catarina?
- Não, Senhor. Nunca vi nada tão maravilhoso.
E à medida que fixava o olhar na jóia, sentiu-se encher de imensa alegria, pois no centro da cruz, no coração mesmo do resplendor de luz, ela viu o pequeno crucifixo de prata que tinha dado ao homem na rua. E enquanto a visão ia esvaecendo, uma voz soou em seus ouvidos:
- Aquilo que fizeres a teus semelhantes, ainda que seja o último deles, a mim estarás fazendo.